COMO ESCREVER SUA HISTÓRIA – Primeiras cenas

Agora que já temos o planejamento e o roteiro dos primeiros capítulos, vamos começar a escrever!

Você pode iniciar por qualquer ponto da sua história, mas como eu gosto de seguir uma cronologia certa, vamos a nossa primeira cena, a mais importante de todas, o momento incitante. Você também pode começar pela rotina dos personagens e em seguida, fazer a cena incitante. Eu gosto de fazer os dois juntos, mas você pode escolher apenas o momento incitante e esquecer da rotina, ou mostrar mais a frente como esse mundo funciona.

Se você prestou atenção no planejamento, você já sabe o que é. Em linhas gerais é o momento interessante onde a história se inicia. Precisamos ter um acontecimento que tira nosso personagem da rotina, apresentação de personagens principais, ambientação e premissa, isto é, o tema ou assunto que sua história abordará.

Para tornar isso mais fácil de entender, encontrei um vídeo curto que explica isso:

https://www.youtube.com/watch?v=LmwAdVHrkmM&list=WL&index=35

Com isso dito, é hora de escrever!

Bem, como eu já escrevi minha cena inicial durante o planejamento vou trazê-la para cá e inserir mais alguns detalhes nela, como ambientação, que eu sempre acabo esquecendo. E não se esqueçam, os primeiros capítulos servem para criarmos uma familiaridade com o enredo; pense assim, se os leitores precisam se acostumar com a história, nós, escritores, também precisamos. Então, relaxe, escreva o que planejou e o que veio a mente, e só na segunda versão (revisão) deixe para se preocupar com a forma final. O importante é colocar as cenas no papel e organizá-las dentro dos capítulos.

Minha primeira cena:

A primeira coisa que ele percebeu foi a dor, uma dor lacerante que vinha desde suas costas e subia lentamente até sua cabeça, a fazendo latejar. Depois foi a luz, tão forte e intensa que mesmo com seus olhos fechados o fazia lacrimejar. Vozes, vozes vinham de todos os lados e sons agudos faziam sua cabeça girar.

— Nico? Nico di Angelo? — Alguém disse a seu lado, suave e baixinho, as vozes finalmente se aquietando ao redor dele.

— S-sim. — ele murmurou, sua voz falhando devido a garganta seca. Ele sentiu algo contra seus lábios e então tudo melhorou, a dor na garganta diminuindo conforme o líquido escorria para dentro de sua boca.

— Como você se sente?

Como se um caminhão tivesse passado por cima dele, dado ré e passado de novo para se certificar de que ele não se levantaria. Mas ele não disse isso, é claro que não, murmurou um fraco “Bem” e tentou recuperar o fôlego, o esforço sendo muito para seu pobre corpo em recuperação. Porque, sim, ele se lembrava de cada minuto e o motivo de estar naquela cama; lembrava do carro vindo em sua direção, de Will gritando seu nome e de não fazer nada para impedir que o veículo o atingisse. Na verdade, ele esperava poder acabar logo com isso e se juntar a sua família.

Ele também sabia qual seria a próxima pergunta do médico.

— Você se lembra porque está aqui?

Nico acenou com a cabeça, ainda de olhos fechados, e se arrependeu completamente. A dor que havia amenizado voltou com vingança, o fazendo dar um gemido em agonia. A dor foi tão forte que um por um momento tudo sumiu, dando espaço apenas para a sensação de agulhas o esfaqueando, subindo por sua coluna e só amenizando quando aquela conhecida sensação de amortecimento o abateu.

— Está tudo bem. — O mesmo médico lhe disse. — Suas respostas são boas, logo seus amigos vão poder entrar.

“Meus amigos?”, Nico pensou, se sentindo a pessoa mais miserável do mundo. Ele não sabia que ainda os tinha.Nico mal lembrava a última vez que tinha falado com sua irmã, o único parente que ele ainda tinha vivo, quanto mais algum de seus amigos. Não, ele não os merecia, ele não queria que eles o vissem nesse estado. Ele nem queria estar ali.

— Não. — Forçou sua voz a sair. Manteve os olhos bem fechados e impediu que suas emoções trouxessem mais reações que o fariam sentir dor. Ele só queria… desaparecer.

— Entendo. O senhor pode descansar agora. Voltaremos depois para fazer alguns exames.

Aliviado, Nico ouviu passos se afastando e a porta do quarto se fechando quietamente. Entretanto, aquilo não importava; com a ausência de movimentação dentro da sala, logo sua consciência foi levada para longe, deixando que a doce morfina o anestesiasse da melhor forma possível.

Certo… não sei se gostei muito disso. Não vou mudar, mas vou colocar algumas coisas e melhorar outras. Gosto muito de ir editando conforme escrevo, porém, para essa história vou tentar fazer diferente. Vamos ver se assim escrevo mais rápido.

Então:

A primeira coisa que Nico percebeu foi a dor, uma dor lacerante que vinha desde suas costas e subia lentamente até sua cabeça, a fazendo latejar. Depois, veio a luz, tão forte e tão intensa que mesmo com seus olhos fechados o fazia lacrimejar. Vozes, vozes de todos os lados e sons agudos que finalmente o trouxeram para a realidade, forçando de seus lábios um gemido de dor.

— Nico? Nico di Ângelo? — Alguém disse a seu lado, suave e baixinho, as vozes se aquietando ao redor dele.

— S-sim. — ele murmurou, sua voz falhando devido à garganta seca. Ele sentiu algo contra seus lábios e então tudo melhorou, a dor na garganta diminuindo conforme o líquido escorria para dentro de sua boca.

— Como você se sente?

Como se um caminhão tivesse passado por cima dele, dado ré e passado de novo para se certificar de que ele não se levantaria. Mas Nico não disse isso, é claro que não; murmurou um fraco “Bem” e tentou recuperar o fôlego, o esforço sendo muito para seu pobre corpo em recuperação. Porque, sim, ele se lembrava de cada minuto, do motivo de estar naquela cama. Lembrava do carro vindo em sua direção, de pessoas gritando seu nome e de não fazer nada para impedir que o veículo o atingisse. Na verdade, ele esperava poder acabar logo com isso e se juntar a Bianca. Ela era a única que o tinha entendido

Ele também sabia qual seria a próxima pergunta do médico.

— Você se lembra porque está aqui?

Nico acenou com a cabeça, ainda de olhos fechados, e se arrependeu completamente. A dor que havia amenizado voltou com vingança, o fazendo dar um gemido em agonia. A dor em sua cabeça foi tão forte que um por um momento tudo sumiu, dando espaço apenas para a sensação de agulhas o esfaqueando, subindo por sua coluna e só amenizando quando aquela conhecida sensação de amortecimento o abateu.

— Está tudo bem. — O mesmo médico lhe disse. — Suas respostas são boas, logo seus amigos vão poder entrar.

“Meus amigos?”, Nico pensou, se sentindo a pessoa mais miserável do mundo. Ele não sabia que ainda tinha algum. Mal lembrava a última vez que tinha falado com a irmã, quanto mais algum de seus amigos. Não, ele não os merecia, ele não queria que eles o vissem nesse estado. Ele nem queria estar ali.

— Não. — Forçou sua voz a sair. Manteve os olhos bem fechados e impediu que suas emoções trouxessem mais reações que o fariam sentir dor. Ele só queria… desaparecer.

— Entendo. O senhor pode descansar agora. Voltaremos depois para fazer alguns exames.

Aliviado, Nico ouviu passos se afastando e a porta do quarto se fechando quietamente. Entretanto, aquilo não importava; com a ausência de movimentação dentro da sala, logo sua consciência foi levada para longe, deixando que a doce morfina o anestesiasse da melhor forma possível.

Meh. Eu nunca gosto dos meus primeiros capítulos. Parece que eu não consigo ver o todo, sabe? Quando eu volto para revisar daqui a algumas semanas ou dias tudo parece melhor. Para resumir, aqui temos o protagonista, ambientação (hospital) e premissa, ou uma dica do que pode ser a premissa. A partir de agora vamos nos aprofundar na história fazendo as perguntinhas básicas: o que, onde, quando e porque.

  • Qual o problema/conflito a enfrentar?
  • Quais os lugares que essa história terá?
  • Quando aconteceu?
  • Porque acontece?

Basicamente, os próximos passos são entender porque Nico está naquela situação, o que aconteceu antes e para onde ele vai apos esse fato. Os personagens coadjuvantes já vão aparecer tão e os subplot que é a família do Nico e como ele lida com o mundo ao redor dele. Entretanto, o enredo principal é porque ele está em uma cama de hospital e como isso se desenvolverá.

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