DIA 2 – Apego Afetivo, Vício e Compulsão em Relacionamentos Amorosos #desafio30psicologia

Olá, no post de hoje daremos continuação ao nosso tema e como ele se dá, principalmente em relacionamentos afetivos.

Como vimos anteriormente, o vício pode se manifestar em diferentes formas e em aspectos variados da nossa vida. Nesse post nos focaremos em relações afetivas e amorosas.

Em primeiro lugar devemos saber que pessoas viciadas em relacionamentos nunca terão um vínculo saudável e feliz, porque são reféns dos relacionamentos que têm. Estes casais constroem no dia a dia um cenário de cativeiro, um tipo de ringue de sofrimento no qual são sacrificados todos os valores, princípio moral, emocional e inclusive psicológico.

Aparentemente, vicio é algo que faz parte da nossa vida e não há o que fazer para nos livrarmos complemente deles. É exatamente como em qualquer outro tipo de vício, não é nada fácil romper com um hábito alimentado dia após dia, principalmente quando o cérebro se acostuma com esta dinâmica, com este substituto de amor ruim ou de droga envenenada, acaba sendo muito difícil se desapegar da tão conhecida rotina, desses sentimentos negativos e de apego, reforçados por um longo período nessa feroz necessidade de ser parte de alguém, a de nos subjugarmos a alguém para nos sentirmos completos, nutridos e realizados.

Como exemplo disso, percebi que tenho o alimentar e educacional. Se eu não estiver aprendendo algo novo, não me sinto eu mesma. Já aplicado na escrita, só agora percebi que escrevi uma história toda onde dois personagens acham que se amam. Um é poderoso e pensa que encontrou a pessoa perfeita e o outro, pensa que encontrou seu príncipe encantado. No final, não é bem isso, porém com o passar do tempo e mesmo com tantos problemas e desentendimentos, eles resolvem ficar juntos.

Mas… por quê? Por que pessoas que são tão toxicas e problemáticas decidem continuar juntas? Na minha opinião é apego, é ter essa ideia formada sobre o que é o certo e sobre o que merecemos. É se acostumar com algo e não “conseguir se ver sem aquilo”.

De acordo com alguns textos, esses são vícios “ocultos”, coisas que em nossa sociedade, isso é, nosso sistema de crenças, não atribui importância ou problema e que é perfeitamente aceitável. Um exemplo disso é como as pessoas se tornam viciadas em relações amorosas mal resolvidas, misturando momentos de prazer com outros de desespero, assim confundindo a excitação ou paixão com o amor verdadeiro.

Amor de verdade ou viciado em amor?

Como podemos saber se o relacionamento que temos com o outro é amor autêntico ou somos apenas viciado em amor?

Tanto o amor autêntico quanto o vício amoroso podem ser excitantes e transformadores. A fase inicial de um relacionamento tende a ser romântica e muito agradável, seja para relacionamentos saudáveis ou não. Ela costuma ser estimulante e, às vezes, trazer mudanças de humor, cognitivas e neurobiológicas semelhantes às induzidas por drogas.

Um vício sempre cria consequências prejudiciais, muitas vezes ignoradas. Somente quando o vício se tornar incontrolável, as pessoas farão algo a respeito. Viciados em amor passam muito tempo nesse tipo de relação e fazem muito esforço em relação ao outro. Eles valorizam essa pessoa acima de si, e seu foco no outro é muitas vezes obsessivo.

Esse comportamento resulta em negligência de si mesmo, abandonando aspectos importantes de suas vidas e comprometem o próprio bem-estar físico e psicológico. É interessante ressaltar que um viciado em amor não se restringe apenas a relacionamentos românticos, essa compulsão pode ser projetada aos filhos, figuras religiosas, famosos, amigos etc.

Como são as pessoas viciadas em relacionamentos?

As pessoas viciadas em relacionamentos amorosos são como qualquer outra. Têm seus trabalhos, seu grupo pessoal, seus gostos, suas paixões, suas virtudes, seus defeitos, etc. Com isso queremos expressar uma ideia simples: o vício em amor não tem idade, status, não discrimina e pode acontecer com muitos de nós sem que percebamos. Não nos damos conta, mas o relacionamento no qual estamos pode ter componentes claramente viciantes.

Entretanto, se nos aprofundarmos nas camadas deste músculo que forma a essência das nossas necessidades afetivas, nos daremos conta de algumas coisas. A primeira é de que existem dois tipos de viciados em relacionamentos:

Tipo 1

Define aquelas pessoas que sempre precisam ter um parceiro. Seu princípio se resumiria a: “A pessoa não se apaixona por quem quer, e sim por quem ama, mas o importante é amar, ter alguém”.

Tipo 2

São como uma armadilha. Assim que iniciam um relacionamento, ficam presos a ele. Não deixam o relacionamento acabar, mesmo que seja um relacionamento ruim, mesmo que machuque todos os seus princípios de dignidade.

Consequências

Assim, esses dois tipos de viciados apresentam características comuns: medo da solidão, falta de uma identidade clara sobre eles mesmos, falta de autoestima, busca constante de afeto e validação do outro. Esses viciados têm comportamentos extremos com o fim de manter o relacionamento, e apresentam uma extrema ansiedade quando percebem que algo não vai bem, além de apresentarem o mesmo padrão que um transtorno causado por abuso de substâncias tem. O cérebro precisa desta dose de apego obsessivo, este nutriente que a presença do outro proporciona, mesmo vindo de um amor problemático e tóxico.

Dessa forma e, pouco a pouco, a pessoa acaba sendo incapaz de regular seu próprio comportamento a ponto de chegar a situações extremas: transtornos de ansiedade, transtornos de alimentação, tentativas de suicídio, etc.

O que as pessoas viciadas em relacionamentos podem fazer para acabar com esta dinâmica?

É muito difícil parar de fumar quando ainda temos um cigarro nas mãos. Por isso, é igualmente complicado deixar um relacionamento vicioso quando a pessoa continua se alimentando das mesmas ideias, de uma nicotina afetiva que destrói o amor-próprio.

Há quem chegue à terapia se queixando de que sempre acaba se apaixonando pelas pessoas erradas, pelas pessoas que mais lhes fazem mal. É como se seus cérebros estivessem programados para cair nas mesmas dinâmicas ruins: em vez de aprender com o tempo e com as más experiências vividas, acabam novamente em situações semelhantes. Por que isso acontece? Por que é tão difícil acabar com este comportamento?

Basicamente, porque elas ainda não entenderam a repercussão desta “dependência amorosa”. Porque são vulneráveis, com baixa autoestima, com uma necessidade de apego pouco saudável, e porque precisam trabalhar uma série de aspectos fundamentais.

São os seguintes:

Como enfrentar o meu vício afetivo

É preciso reconhecer o próprio vício nas relações afetivas e as consequências do mesmo. Sejamos honestos com nós mesmos e reconheçamos que algo não vai bem. Precisamos abrir os olhos e praticar o realismo afetivo.

É preciso entender que o tendão psíquico e emocional de toda relação é o respeito pelo outro e por si mesmo. Sem ele não merecemos amar nem ser amados, porque o que não se respeita, se descuida e despedaça.

Dessa forma, é importante entender outro aspecto. O apego, a necessidade obsessiva de ter alguém ao nosso lado a qualquer preço e em qualquer situação, por mais mal que ela cause, nos corrompe como pessoas, nos degrada, destrói todo o nosso potencial.

Frequentemente, fazemos de nossos desejos uma necessidade. Por trás da frase “desejo de ser amado” se escondem muitas necessidades que precisam de exploração e entendimento. Se preciso de reconhecimento, validação ou quero me defender da solidão a todo custo, não tenho porque buscar reféns que satisfaçam os meus desejos. Essas necessidades devem ser saciadas por mim mesmo.

As pessoas viciadas devem dar o primeiro passo e fazer a si mesmas a simples pergunta: O que eu prefiro: um mal de amores ou uma saúde forte? Se a escolha for pela segunda opção, existe apenas um caminho, um simples de aparência, mas que requer um profundo trabalho interno.

Trata-se de trabalhar a própria autoestima, de construir uma dignidade forte, corajosa e reluzente capaz de nos libertar, de criar laços enriquecedores onde não existam reféns: apenas pessoas livres que se escolhem para construir um projeto em comum.

Como distinguir um relacionamento saudável de um baseado em vício em amor

Se você souber o que procurar, há sinais que ajudam a distinguir o amor autêntico do vício e compulsão. Para ajudá-los, disponibilizamos uma tabela com diferenças entre o vício e o amor autêntico.

Características de um viciado em amor Características de um relacionamento saudável
O relacionamento é baseado na necessidade de estar com a pessoa. O relacionamento é baseado no desejo de estar com a pessoa.
Sente-se incompleto sem um parceiro. Sente-se completo e inteiro com ou sem um parceiro.
Seu relacionamento é baseado em quem você quer que a outra pessoa seja. Seu relacionamento é baseado em quem a outra pessoa é.
Sua vida gira em torno do relacionamento. O relacionamento impulsiona seus objetivos de vida. Mas ele não é seu principal objetivo.
A química é a principal prioridade no começo. Química é uma entre várias prioridades.
Você se apaixona pelo amor. Pelo ideal romântico. Você se apaixona por uma pessoa.
Um viciado em amor procura resgatar ou ser resgatado. Procura uma relação entre indivíduos iguais e capazes de enfrentar os desafios da vida.
Não consegue estabelecer limites saudáveis. Tem bem claro os limites entre o que é saudável e o que não é.
Tem uma ou mais pessoas na manga caso a relação atual termine. Se concentra no relacionamento sem precisar de um substituto disponível caso ele venha a terminar.
Encontra parceiros emocionalmente indisponíveis ou abusivos. Encontra parceiros emocionalmente disponíveis e que o tratam bem.
Idealiza a outra pessoa, mas depois a desvaloriza quando as idealizações se desgastam. Você tem uma visão equilibrada dos pontos fortes e fracos do seu parceiro.
Você subestima suas necessidades por medo de afastar seu parceiro. Você atende às suas necessidades e também às do seu parceiro, sabendo que ambos devem ser atendidos para um relacionamento saudável.
Ignora, nega ou tolera comportamento disfuncional, diminuição da autoestima e comportamento de autossabotagem para evitar perder o relacionamento. Sabe que relacionamentos saudáveis podem ser difíceis ou dolorosos e envolvem comprometimento, mas não incluem comportamentos de autossabotagem ou de risco.
Negligencia as responsabilidades da vida para buscar sonhos de um relacionamento idealizado. Integra seu relacionamento com outras responsabilidades em um equilíbrio saudável.
Tolera disfunção excessiva, caos ou dor nos relacionamentos por medo de ficar sozinho Não tolera disfunção excessiva, caos ou dor
Você ignora sinais de alerta por medo de ficar desapontado ou sozinho. Encara os sinais de alerta para determinar se o relacionamento pode ser mais saudável ou deve acabar.
Sente muitos ciúmes, possessividade sobre seu parceiro? O relacionamento ganha a importância de vida ou morte na sua vida? Pode sentir ciúme às vezes, mas isso não se torna questão de sobrevivência.
Raramente está sem um relacionamento. É capaz de ficar um bom tempo solteiro se nenhum parceiro apropriado estiver disponível.

A seguir temos alguns exemplos dessas situações onde o vício não nos permite enxergar claramente o que acontece e que podemos usar em nossas histórias.

O personagem:

  • Frequentemente se sente atraído por alguém diferente, se interessando por essa pessoa e se envolvendo, mesmo quando suspeita que a pessoa ou a relação pode não ser boa para ele.
  • Se sente deprimido ou incompleto quando não está em um relacionamento, necessitando sempre ter um novo parceiro amoroso para curar seus problemas de depressão e autoestima.
  • Pensa em romper com um parceiro, mas se preocupa sobre o que acontecerá com a pessoa sem a sua companhia, escondendo por trás dessa desculpa apego afetivo.
  • Evita ficar sozinho após um rompimento, iniciando imediatamente um novo relacionamento.
  • Embora demonstre inteligência e independência em outras áreas da vida, tem receio da independência num relacionamento amoroso.
  • Para ser feliz, precisa ter um parceiro amoroso.
  • Mesmo quando um relacionamento não está bom, tem dificuldade para terminá-lo.
  • Se envolve com pessoas que não estão disponíveis romanticamente – são casadas, moram muito longe, já estão envolvidas com outro parceiro ou se mostram emocionalmente distantes.
  • Irá rejeitar se uma pessoa boa e disponível demonstrar interesse.
  • Frequentemente tenta “reformar” seu parceiro amoroso para fazê-lo comportar-se da forma como considera ideal.
  • Não consegue/acha difícil dizer não a alguém com quem está envolvido, não importanto o pedido, como dinheiro, tempo, sexo ou algo mais.
  • Acredita que não merece um bom relacionamento ou que não irá encontrar alguém melhor.
  • Sexualmente, se preocupa mais em satisfazer o parceiro do que a si próprio.
  • Permanece obcecado pelas lembranças do início/fase boa do relacionamento por meses ou até mesmo anos depois que ele terminou.

Por hoje ficamos por aqui. Vocês conseguem identificar o apego emocional na vida de vocês ou na vida do personagem de vocês? Até a próxima e obrigada pelo apoio. Não se esqueçam de compartilhar com seus amigos!

FONTE

https://www.revistaplaneta.com.br/teste-sofre-de-tem-vicio-em-relacionamentos/

https://www.psicologoeterapia.com.br/terapia-de-casal/sera-que-voce-e-viciado-em-amor/

https://amenteemaravilhosa.com.br/pessoas-viciadas-em-relacionamentos/

3 comentários em “DIA 2 – Apego Afetivo, Vício e Compulsão em Relacionamentos Amorosos #desafio30psicologia

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