DIA 96 – Quais regras da escrita você quebra? #100diasdeprodutividade

Olá! Como vão todos? Nesse post falaremos sobre regras narrativas e se elas são tão importantes assim.

Por muito tempo fui aquela pessoa que colecionava regras. Faça isso, não faça aquilo, sempre tenha em mente ambientação, época e aspectos societais.

E tudo bem, eu admito, ainda as coleciono, a lista continua crescendo e crescendo até eu me perder no mar de exigências que eu mesma me auto-imponho. O que geralmente acontece, pois, no fim, acabo abandonando todas essas normas e me focando no básico. Bem básico mesmo. É aí que eu me arrependo de tudo, a hora de revisar e reescrever o texto chega, me fazendo enxergar como elas são importantes.

A primeira coisa que percebi foi:

  • Todas essas regras servem para transformar o texto em um enredo bem estruturado.
  • Elas mantêm a história limpa, com clareza e fluides.
  • Me ajudam a manter o caminho que eu devo seguir se eu quiser terminar essa historia.

A primeira regra… 

É que não há uma regra. Sim, sinto muito te dizer. Não há um caminho fácil ou certo. Um autor de romances românticos não terá o mesmo conjunto de regras de um escritor de terror ou drama. Algumas regras podem se aplicar a todos, porem o caminho será totalmente diferente.

Analise o que serve para você

Sim, algo que poucas pessoas parecem dizer. Nem tudo vai servir para você. E até no meio do seu nicho, ainda assim não será bom. Por exemplo, algumas pessoas ainda afirmam que uma ambientação quilométrica e bem detalhada faz toda a diferença, já eu acho completamente desnecessário. Prefiro as pontuais que ofereçam o suficiente para o leitor se situar no contexto da história.

Falo que é desnecessário porque já tentei fazer esses tipos de descrições e elas nunca funcionaram para mim, nem agora e nem quinze anos atrás. Entretanto, antes de dizer que eles não sabem o que estão fazendo, tentei e pratiquei por um tempo, até ter a certeza que não funcionava. Esse é meu conselho para quando aprendemos coisas novas; teste, experimente e analise. Seja educado e se puder, compartilhe essa informação com alguém. Informação parada é informação desperdiçada.

Anote o que servir

Para não nos perdermos nesse mar de informações, anotes as regras que você acha importante ou gostaria de usar. Assim, sempre que a necessidade vir, apenas precisamos consultar.

As regras:

Mostrar e Contar (Show, don’t tell)

Bem… é polemico. Na mesma cena eu uso o Contar e o Mostrar. Sim, eu uso os dois. Apenas usar o “Mostrar” seria ideal para livos de terror ou drama, onde mostrar apenas o necessário para manter o mistério é importantíssimo, já com romances… nem tanto. Quando há emoções e principalmente, as românticas, um pouco de “Contar” terá que estar presente. 

Outro dia fiz um post sobre “Mostrar e Contar”, dizem que todos deveriam usar. Entretanto, até quando essas regras vão? Sei que algo que vem com a experiência, porém é necessário ter o mínimo de auto-critica para saber quando usar qual. Você precisa dizer como o personagem se sente? Use o contar. Precisa mostrar como esse casal se conheceu ou como estão a relação deles? Use o mostrar. Tuda na vida pede equilíbrio, então, porque não fazer o mesmo com nossa escrita?

Seu protagonista “deve ser agradável”

Essa é a pior regra do mundo! Quem disse que seu personagem deve ser agradável? Ele tem que ser interessante, decidido. Ele tem que tomar a ação ao invés de deixar que as pessoas ajam por ele. Ele pode até ser mau, ter características escuras e ter a aparência estranha, porém tudo o que ele não pode ser é padronizado. É daí que saem os clichês. As pessoas pegam essas regras pre-programadas e pensam que estão fazem o certo. Entretanto, existe um certo? E se existe, eu não sei. Tudo o que sei é que seu protagonista pode ser “agradável”, pode ser interessante e pode ser maldoso. 

Escreva o que você sabe

Eu nem sei o que isso significa. Ou eu não sabia no começo. E se vocês querem saber, a expressão é meio nebulosa. O mais correto seria “Pesquise e depois escreva”. Tenho certeza que ninguém precisou estar vivo na idade media para escrever sobre ela ou estar em Hogwarts para fazer uma fanfic. Então, o que significa? É exatamente isso, pesquise e leia bastante sobre o assunto e quando você “souber o suficiente sobre aquele tema”, escreva. 

É claro que tem aqueles casos que usamos nossas experiências e coisa vemos por aí. Aí sim a regra se aplica, porém, por quanto tempo você pode escrever sobre a mesma coisa até que seus leitores fiquem entediados?

Evitar gírias e regionalismos

Um grande erro. Quer dizer que Graciliano Ramos estava errado? Que o livro “Capitães de Areia” devia ser reescrito? Tudo vai depender do seu objetivo e o quão sua história foi bem-estruturada. Pois, nesses livros todos os aspectos servem para a construção de mundo, cada detalhe foi bem-planejado para que uma sociedade soasse completamente real, muito verosímil e concreta. Então, dependendo do seu objetivo, gírias podem complementar sua história ou destruí-la completamente.

Flashbacks – Passo ou futuro

Eu provavelmente já devo ter dito para que as pessoas não os usassem. Entretanto, preciso dizer quando não usa-los. Em início de história. É isso, só no começo, nunca na introdução do seu enredo. Porquê? É simples, os primeiros capítulos são feitos para apresentar os personagens principais e dizer sobre o que a história se trata; objetivo, tema e premissa, e se você misturar outras coisas podem ficar confuso. Se for necessário, mesmo que muita gente seja contra, você pode fazer um prólogo e contar lá acontecimentos antes do seu primeiro capítulo. 

Os personagens devem sempre contracenar com outros

Quer dizer que nenhum deles pode ter um momento calmo e voltado para eles mesmos? Creio que essa regra foi criada para fazer os escritores se focarem na ação e no desenvolvimento do enredo. Entretanto, amo as cenas que tratam de assuntos internos, sobre emoções e personagens pensando e decidindo sobre o que fazer em seguida. Nem sempre será possível colocar esse tipo de cena na sua história, mas quando foi possível ela permitira que nossos leitores conheçam um pouco mais sobre esses personagens.

Menos é mais

Sim, eu também fiz um post sobre isso essa semana. Eu não me arrependo. A questão é que às vezes, escrevemos para um público menos experiente, e faze-los entender como construir um bom texto é minha prioridade.

Esses textos ficarão meio genéricos no começo? Sim.

Isso ajudará eles a criarem a própria voz? Completamente.

Então, haverão momentos que “menos realmente é mais”, mas também haverão momentos que “mais é mais”. Sugiro manter seu texto mais limpo na primeira versão da história, e conforme você vai reescrevendo ou editando, inserir mais coisas no seu texto. Assim, não haverão erros. Porque, como eu disse antes, tudo vai depender da situação e do objetivo desse texto.

Fonte

Post levemente inspirado em https://www.publishersweekly.com/pw/by-topic/industry-news/tip-sheet/article/74222-10-writing-rules-you-can-and-should-break.html

2 comentários em “DIA 96 – Quais regras da escrita você quebra? #100diasdeprodutividade

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.