Dia 87 – Sequências: Como escrever quando as ideias acabam #100diasdeprodutividade

Olá, como vão todos? Hoje quero falar de escrita de uma forma mais pessoal. O que fazer quando a inspiração vai embora. Isto é, você se vê em um beco sem saída por falta de organização ou planejamento.

Uma das coisas que mais me revoltam em um livro, não importa, sobre o que ele seja é falta de consequências. O personagem passou por uma guerra e tipo, no capítulo seguinte ele já está bem e pronto para outra.

Não, não é assim que a vida acontecesse. Toda ação pede uma reação. Então, a primeira coisa a fazer quando você já não sabe o que escrever é:

Revise o texto

Sim, o seu pior pesadelo. Mas ele não precisa ser, ele é seu amigo.

Veja bem, se você não consegue nem sequer reler o que você escreveu, como você espera que outros também queiram? Você tem de gostar que escreveu e se divertir lendo tanto quanto seu leitor faria. No meu caso, eu esqueço o que escrevo num espaço de duas semanas até um mês. É claro que eu lembro do enredo e personagens, mas exatamente como eu escrevi e palavras usadas, somem completamente da minha cabeça.

Depois desse tempo, se eu estiver empacada, volto para reler o que escrevi. Na maioria das vezes eu adoro o que está na pagina, porém, nem sempre foi assim. O segredo é… não há um. A experiência nos faz melhores escritores, isso todos sabem, entretanto, para você chegar até lá terá que vencer alguns preconceitos que você mesmo se impõe. Não, não existe primeira versão de texto perfeita. Então, você deve respirar fundo e se preparar, porque você vai ter que ler o que você escreveu, querendo ou não.

No começo não vai ser fácil, nunca é. É questão de se acostumar e aprender o que você deve consertar no seu texto. O indicado é resolver uma coisa de cada vez.

Minhas primeiras versões são bem magrinhas. Sempre esqueço da ambientação e dou pouca atenção para personagens coadjuvantes. Sempre falta uma cena aqui ou outra ali. Tendo o repetir construções gramaticais e às vezes têm alguns erros de tempos verbais. E é claro, a gramática. É bom que você escolha um desses e vá editando devagar. Ou melhor, convide alguém para te ajudar. É por isso que existem leitores betas, eles serão seus melhores amigos ou apoiadores durante esse árduo processo. No futuro, quando não for uma tortura fazer isso, esse processo vai ser tornar bem mais fácil, te possibilitando fazer tudo de uma vez.

Replanejar

Quando reescrever não der certo, analisar seu enredo para ver o que falta ou onde você se perdeu pode ser a solução.

Excluindo os motivos psicológicos, tudo tem solução. Mas o que eu quero dizer com motivos psicológicos?

Sabe quando aquela historia te drena tanto que você sai cansado da escrita? É essa situação. Vou dar um exemplo. Alguns anos atrás decidir escrever uma história sobre um homem poderoso que tinha todo o poder do mundo. Ele encontra a pessoa que ele acha que é perfeita para ele, mas que é independente e decidida. No começo, ele acha que é ótimo. Conforme a história vai passando, o personagem muda de ideia, chegando a um ponto que… bem… eu prefiro não comentar e me recuso pensar sobre. Foi pesado, foi cansativo, e de tão ruim eu quase desisti de escrever. Esse é a situação que falamos. Esse é o momento quando desistir de uma história é mais do que aceitável. Se escrever te deixa mal e angustiado, pare. Nada vale sua paz de espirito e saúde. Nada.

Se esse não for seu caso, já te digo, sua história tem solução! Com toda certeza. Primeiro, eu encontraria minhas cenas base. O começo, meio e fim da história para nos guiar durante o processo. Fiz um post sobre isso aqui.

Depois disso, eu prestaria atenção no arco dos personagens. Qual o papel e objetivo de cada um deles? O protagonista sempre deve estar no foco, o que não significa que os outros não tenham importância. Portanto, defina o que cada um deve fazer (objetivo/missão) e defina pelo o que eles tem que passar para chegar até lá (arco narrativo).

Consequências

Se revisar, reescrever e planejar não funcionar, o que falta na sua história são as consequências.

Como eu falei no início, odeio quando não vejo a consequência dos atos dos personagens no enredo. Por exemplo, uma pessoa destruiu a vida da outra e ainda assim, nada aconteceu com ela. Ela matou alguém e consegue fugir no final, como se fosse uma coisa normal. isso me mata, isso é fugir da responsabilidade de escrever o que a história pede, é jogar a responsabilidade de ter que se aprofundar em algo que talvez seja pesada ou dolorosa.

Tenho um exemplo para isso. Quem me conhece sabe que eu amo Percy Jackson, de verdade. Os personagens são muito bons, porém, o enredo começa a capengar durante a segunda série. O que é super triste. Enfim, no fim da primeira série de livro, eles passam por uma guerra, literalmente! Tem até estrategia de batalha. Aí, no fim do livro e no início do outro é como se nada tivesse acontecido, todo mundo vivendo suas vidas e o protagonista metido em outra aventura. Cadê as consequências da guerra? Cadê o luto das pessoas que morreram? E a reconstrução da cidade que foi destruída? Cade as pessoas sendo afetadas?

É isso que quero dizer com esse post. Os personagens precisam ser afetados pelos acontecimentos! Porque, se eles não são, para quê tudo aquilo aconteceu? Não faz sentindo. Então essa é a hora de voltar no seu enredo e ver as cenas onde coisas importantes acontecem e escrever sobre as consequências e como o mundo ao redor do protagonista foi afetado por isso.

Sequencias

Por fim, quero falar das sequências. Algo muito importante.

Sabe quando você está lendo e aparece um pulo de tempo ou um corte abrupto que de repente te leva para outra cena sem conexão com a interior? Também tem a ver com não querer escrever sobre as consequências, mas é mais diretamente ligado as sequências.

Pense assim, o enredo é feito de ação (cena) e reação (sequencia). Se algo aconteceu ou foi dito, é necessário que venha imediatamente apos ao conflito, reagindo a essa cena, de forma positiva ou negativa.

Por exemplo, nosso protagonista está no campo de batalha, seu parceiro de guerra está com ele, protegendo a retaguarda. Então, o parceiro é atingido. Ele morre nos braços do nosso personagem. O que acontece? O correto seria levar o companheiro para um lugar seguro ou ao menos falar da morte dele, mostrando a dor do protagonista, certo? Porém, o que eu mais vejo é essa cena sendo pulada, nunca existindo, e sendo substituída por um rápido contar de fatos e ficando assim, quando o personagem continua a aventura dele sem o companheiro.

Isso parece certo para você? O Personagem não se importava tanto com o companheiro? Onde foi parar toda a preocupação? Bem, as coisas ficam assim e ele nem sequer é citado outra vez durante a história.

Conclusão

Se quisermos ter um enredo sem furos é necessário que aja um planejamento, reescrita e edição quando preciso, e que não fujamos das sequências e consequências.

Obrigada por ler!

3 comentários em “Dia 87 – Sequências: Como escrever quando as ideias acabam #100diasdeprodutividade

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