DIA 60 – Como escrever uma história e ir até o fim #100diasdeprodutividade

Olá, como vão todos? Hoje gostaria de compartilhar como costumo escrever minhas histórias e como faça para chegar ao fim delas.

Eu não sei se é o caso de vocês, mas para mim o problema não é começar e muito menos o desenvolvimento, mas sim chegar ao final da história. Seja por falta de ideias (planejamento) ou perda de interessante (total irresponsabilidade), os fins sempre foram os mais difíceis para mim. Também tem outras vezes que eu não quero terminar porque me apeguei tanto àquela historia que é difícil vê-la concluída.

Enfim, a seguir quero mostrar o passo-a-passo de como iniciar e terminar nossas histórias, de uma forma descomplicada.

Defina o tema e premissa.

Bem, temos que começar por algum lugar. Qual a ideia geral da história? O tema seria Amor? Vingança? Amizade? Romance? Se você não souber sobre o que escrever, use prompts ou vá em grupos de escrita, ou de fandom, está cheio de ideias interessantes que podemos usar. Depois disso temos uma premissa, isto é, a promessa que será feita nos primeiros capítulos.

Digamos que nosso tema é o amor e a premissa seria que o amor-próprio é mais importante do que o amor romântico.

Personagens e ambientação.

Eu geralmente já tenho ideia de quais personagens vou usar, pois, eles sempre são tirados de livros ou filmes. Entretanto, eu os modifico tanto que no final eles se tornam bem originais. Mas… porque eles mudam tanto? Simples, eu imagino que tipo de personagem caberia naquela historia e naquela ambientação, isto é, naquele tipo de sociedade e enredo.

Um personagem não pode agir separado dos lugares que frequenta, então, com isso em mente, voltemos a nossa história.

Tema: Amor.

Premissa: O amor-próprio é mais importante do que o amor romântico.

Personagem: Não vamos usar gêneros, ok? Assim, para haver algum tipo de embate ou argumento nessa historia, nossos personagens não podem ser perfeitos; devemos escolher uma característica fatal negativa e algumas positivas.

Digamos que o Personagem A (P.A) é um pouco egoísta, ele só liga para a própria carreira e deseja chegar ao topo, só que ele tem um namorado(a). O Personagem B (P.B), o namorado(a), é mais velho e já tem todo o sucesso que poderia ter na vida, querendo se aquietar e formar uma família, sendo completamente altruísta, só que o P.B pode ser muito teimoso e não escutar as pessoas.

Ambientação: Que tipo de mundo seria aquele? Super competitivo como o nosso? Focado mais na parte romântica do enredo? E a diferença socio-econômica entre os personagens? Experiencia de vida? Algum deles é mais maduro que o outro? E suas famílias? Onde estudaram? Tudo isso faz parte da ambientação, o tão famoso worldbuilding. Definir seus maiores desejos e medos, e ter uma ideia do passado deles, sempre ajuda.

Começo, meio e fim.

Agora que temos uma ideia geral do enredo é hora do planejamento inicial. Não, não vamos usar a estrutura de três atos ou a jornada do herói. Isso vem bemmm depois quando temos um enredo bem estruturado e ideias suficientes para fazer alguns arcos narrativos. Agora, vamos definir três cenas que servirão de base para toda a história. Uma para o início, que geralmente é a primeira cena do enredo; uma para o desenvolvimento, como queremos que a história evolua; uma para a conclusão, como queremos que a história termine.

Simples, certo? E realmente é.

Começo.

Nossa cena de abertura já começa com nossos personagens. Eles estão em um restaurante. P.A está mexendo no celular, enquanto P.B está lendo o cardápio, tentando chamar a atenção de P.A. P.B continua falando e P.A levanta a cabeça” Desculpe, queridx. Eu só preciso terminar esse e-mail.“ P.B suspira, já acostumado e olha para o lado, vendo as pessoas andarem pelo restaurante quando avista uma pessoa conhecida. Essa pessoa conhecida o avista na mesma hora e acena, se aproximando da mesa deles.

Esse personagem que se aproxima será chamado de Antagonista (ANT), ele será essa pessoa alta e loira, com um sorriso deslumbrante e só que muito competitivo e territorial.

O ANT se aproxima de P.B e o cumprimenta com um aperto de mão que dura mais de que o necessário. P.A só nota que algo mudou quando não houve mais a voz de P.B. P.A encontra uma pessoa alta e loira em cima de seu namoradx, e questiona quem é elx.

“Ninguém importante”, o próprio ANT responde. Ele tira um cartão do bolso e oferece a P.B que aceita, com um sorriso no rosto. Antes de ir embora, ANT se abaixa e sussurra para P.B, “Me ligue, eu não me importo de dividir.” Ou algo provocativo desse tipo.

ANT sai andando em direção a uma mesa cheia de pessoa e se senta, já conversando com os amigos.

Meio

Pronto, a primeira cena está feita. Ela começa em um ponto da rotina dos personagens e algo acontece para mudar isso. Os personagens principais são apresentados, a ambientação também (fazer a descrição do restaurante aqui é mega importante, se for um restaurante chique, quer dizer que eles são ricos; se for um mais modesto quer dizer que eles, ou um deles, não se importa com riqueza), e o antagonista também é apresentado. Tendo quase todos os aspectos necessários para um bom enredo. A única coisa que falta aqui é a época, mas só por mencionar um celular já nos diz que é na atualidade.

Agora, precisamos decidir para onde essa historia irá. P.B vai telefonar para o ANT? Ele vai contar de onde conhece o ANT? P.A e P.B vão brigar? P.B finalmente vai dizer que precisa de mais na vida? Esse é o ponto mais importante. Lembra da premissa feita lá atrás? É agora que devemos cumpri-la.

P.B e P.A discutem muito e P.B é sincero, dizendo que ele precisa de mais. P.A pede outra chance, que vai mudar. P.B diz que aceita, que ama P.A, só que ele em um impulso liga para o ANT e eles começam a conversar.

É aqui que eu me focaria, a vida de P.B e P.A, como P.A se esforça para dar atenção para P.B e tentar ser uma pessoa melhor. Ele até consegue no início, mas então uma oportunidade de negócio que ele não pode perder aparece e P.B fica sozinho e abandonado de novo. Enquanto isso P.B está conversando com ANT, todos os dias e durante as noites quando P.A não está lá, até que um dia ANT diz que quer que eles se encontrem. P.B aceita, já que P.A não estaria em casa até a próxima semana. O primeiro encontro vai muito bem. Ele conversam e tomam muito vinho, mas nada mais do que isso acontece. Eles tem mais um encontro e mais um até que P.B conta todas suas frustrações para ANT e ANT o consola, o abraçando e falando que tudo vai ficar bem. ANT, também já sendo mais velho e bem estabelecido, entende o que P.B está falando. ANT apenas abraça P.B, assim conquistando a confiança dele.

Final

Agora, chegamos ao clímax da nossa história. P.B vai trair P.A ou não? As cenas finais aconteceriam assim: P.A chega de viagem e encontra a casa silenciosa. Ele passa pelos cômodos e vai até o quarto, esperando encontrar P.B dormindo. Enquanto ele entrá lá, vê P.B e ANT. O final vou deixar que vocês decidam.

Opção 1: ANT está ajudando P.B com alguma coisa e eles estão vestidos e olhando algo no computador.

Opção 2: ANT e P.B estão na cama, debaixo dos lençóis.

Eu, pessoalmente, escolheria a opção 2 já que sou bem vingativa. E já que essa historia é sobre amor-próprio, o P.B continuar se sacrificando por uma relação que não vai a lugar algum não faz sentido. Qual seria a sua escolha?

Pesquisa e detalhes.

Depois de nossas cenas base completas é quando faço uma pesquisa se for necessário. Para a ambientação ou algum termo mais técnico referente a profissão deles, se eu for abordar isso. Também adiciono os detalhes que faltaram, como a reação dos personagens e dou uma verificada nas cenas para ver se algo faltou.

Estendendo as cenas.

É quando a história toma forma. A primeira vista tudo que faço é adicionar mais descrições, dando aquela cara de narração. Conto um pouco da vida deles, misturando o contar e mostrar, e vou estendendo as cenas com mais diálogos e detalhes até que eu julgue estar bom.

Nesse momento, decido se quero um conto assim, menorzinho, ou transformo em uma longfic. E como fazer isso? É só pensar no mundo e nas pessoas rodeando nossos protagonistas. Eles tem amigos e familiares, não? Escreva sobre isso. Faça mais cenas com os personagens interagindo, com eles no espaço de trabalho e o que eles fazem quando chegam em casa. Esses momentos de tranquilidade e normalidade são muito importante para dar um senso de continuidade para a história. Também pode ser um bom momento para usar alguma técnica narrativa, como a jornada do herói, mas só se isso se adequar a sua história.

Eu geralmente faço tudo isso, só que dentro da minha cabeça. Às vezes, coloco todos esses dados no papel, outras, vou escrevendo cena por cena até chegar ao final. É bom anotar tudo para não esquecer detalhes, e não se preocupe, novas ideias para a história sempre surgem durante o processo de escrita. Se não acontecer, deixe a historiar descansar por alguns dias e depois volte para revisa-la, esse sendo um passo muito importante. Para mim, sempre dá certo. Quando vejo, a história alcançou o triplo de palavras, parecendo que não terá fim.

O que vocês acharam desse post? Foi útil? Me digam nos comentários e não se esqueçam de curtir e compartilhar!

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