DIA 11 – Aspectos de desenvolvimento narrativo #100diasdeprodutividade #diariodeaprendizado

Olá, como vão todos? Hoje gostaria de compartilhar com vocês alguns pensamentos sobre construção de personagens e narração. Não é nada técnico ou tirado de alguma fonte oficial, são apenas pensamentos que me ocorreram quando um leitor deixou um comentário sincero e bem interessante. Agora, eu não vou dizer quem me fez ter essas epifanias, mas eu espero que isso sirva para a reflexão de vocês.

Worldbuilding (construção de mundo)

Bem, sempre que eu começo uma historia me foco no personagem e em uma situação especifica. Não importa qual seja a situação, todo o resto tem que ir de acordo; os pensamentos dos personagens, os antagonistas e coadjuvantes, a época e até o lugar deve ajudar a construir a situação perfeita para o momento que quero criar.

Porque estou falando isso? Eu não sei vocês, mas eu costumava pensar que cada aspecto da narração deveria ser construido separadamente. Eu também não dava muita atenção a nada que não fosse os personagens. É por isso que muitas historias parecem que faltam alguma coisa, sabe? Superficialmente, é difícil definir o que falta, porém com uma analise mais profunda geralmente é a construção de mundo.

E o que deveria ser considerado construção de mundo? Tudo o que não é descrição de características físicas.

E como isso se dá? Bem, tudo mesmo. Como o personagem se move? Ele se curva respeitosamente diante de alguém? Ele dá um soco em alguém e rouba o que está mais perto? Tudo isso demonstra alguma característica enquanto a construção de mundo fica subentendida, porém, sempre presente. Claro que temos os conceitos mais clássicos de construção de mundo como, lugares, política, economia, costumes, etc. Apenas tenha em mente que para construir um mundo não basta descrições físicas, o mundo precisa estar inserido nas ações e nos pensamentos dos personagens.

Uma forma interessante de usar o worldbuilding é colocar seus personagens em um mundo completamente diferente, como com zumbis ou vampiros, e ver como seus personagens vão reagir. É sempre um bom exercício criativo.

Personalidade

A personalidade do seus personagens é outro ponto importante. Enquanto a maioria está acostumado com modelos de heróis ou vilões, seria interessante jogar no mix alguma característica que um vilão teria. Eu não estou falando para apenas dar um defeito para ele, não, tem que ser um defeito mortal, algo de muito ruim, mas que ele raramente deixa outra pessoas verem. Ou uma pessoa que parece ruim, lhe dê características positivas, ou o faça agir de forma como um herói faria só que pelas razões erradas.

O intuito é entender: não faça vilões só porque a história precisa de um. Tente desenvolver os personagens como se fossem pessoas reais, nem 100% bom ou mal. Eles são falhos e às vezes tomam decisões duvidosas. Porque é o que o ser humano faz. Somos todos imprevisíveis. Tudo depende do seu ponto de vista e como você escolhe enxergar a história. Afinal, a diferença entre um vilão e um herói é o ponto de vista.

Enfim, esse é o aspecto que eu mais gosto de brincar. Você realmente quer ver outro protagonista que só faz as coisas certas? As mesmas coisas certas que milhares antes dele fizeram? Não se preocupe, seu personagem ainda vai chegar no fim do jornada, porem não seria legal dar a ele uma personalidade interessante e se divertir com ele durante o caminho?

Status Quo

Que tal pegar aquele velho padrão e dar uma modificada? Seja no worldbuilng ou seja na caracterização do personagens? E se você ao invés de usar um herói, usasse um… bandido? E se bandido fosse confundido com um famoso herói? E se esse bandido estivesse prestes a ganhar uma sentença de morte e única forma de continuar vivo seria assumindo a nova identidade? Meu conselho aqui é pegar algo normatizado e transforma-lo em algo inesperado. É o melhor tipo de construção possível.

Dê tempo ao tempo

Eu não sei se vocês perceberam, não tem vezes em que a historia parece passar rápido demais e você acaba sem entender nada? Isso é escrita apressada e mal desenvolvida. Sim, eu já fiz milhões de vezes, por isso, sou mestre no assunto. Bons personagens e bons enredos precisam de tempo, muito tempo, para serem bem desenvolvidos. Eu não me refiro a quanto tempo o autor demora para escrever a historia e sim ao numero de cenas e tempo que os personagens passam em ação. Como você espera que a audiência conheça e goste do seu personagem se você não sabe nada sobre ele? Um exemplo é Percy jackson. A primeira serie tem cinto livros e só no ultimo ele vira um guerreiro e líder verdadeiro. Mas porque? Ele precisou passar por milhões de provações e missões para que nós o conhecêssemos de verdade. Então, quando você for escrever o desenvolvimento pense na forma em que o personagem pode agir e ser livre para ser ele mesmo e só no fim entregue a ele o real perigo.

A pressa mata

Outra coisa que percebi é que fanfiction e a clássica literatura são escritos de forma diferente. Sei que parece óbvio, a qualidade dos livros lançados por editores devem ter uma qualidade bem mais maior. Mas não é só isso. Percebi que leitores de fanfic parecem querer uma historia detalhada em um todo.

Como assim, você me pergunta? Em um livro mais clássico nem tudo é explicado tim-tim por tim-tim, porque é isso que se traduz em mistério e curiosidade para o leitor, que ao passar da historia vai se revelando. Entretanto, se alguém está lendo uma fanfic, eles querem saber imediatamente o que aquilo significa, sem nunca tentar analisar o texto e as pistas neles deixados. Será que é pela natureza imediatista dos mais novos ou é porque as pessoas acham que fanfic deveria ser uma coisa fácil de se ler? Eu, pessoalmente, adoro quando os escritores não entregam tudo de bandeja. Então, um mistério cairia muito bem nesse mar de apressadinhos.

Tentações

Sim, nós como escritores temos muitas tentações. Uma das minhas piores é querer transformar o personagem em algo em que ele não é. Por exemplo, o personagem vem agindo todo mal e bad boy e de repente, voalá! Ele se torna tão bonzinho que te faz questionar tudo na vida. Primeiro, temos que ver se a motivação do personagem condiz com sua atitude e ver se é verossímil de acordo com as regras que estabelecemos no inicio da historia. Então, antes de ficar tentado a colocar um ideia miraculosa na sua historia, analise bem se faz sentido para a narração em geral.

Promessa

Outra coisa que destrói completamente sua narração é não cumprir a promessa feita no inicio do historia, lá na primeira cena. Se a sua promessa era fazer seu personagem amadurecer ou arranjar uma noiva, cumpra, se não esse é a receita para o desastre. Afinal, ninguém gosta de ser enganado. E, por favor, nunca transforme sua historia em “Ele acorda de um sonho” no fim da historia. É o pior tipo de traição.

Ninguém sabe tudo

Esse é um ponto muito interessante. Pense assim, diferentes personagens, diferentes experiências e diferentes reações, o que se traduz como diferentes informações que cada personagem terá. Certo? Imagina a imensidade de situações que podemos criar com isso. Apenas um personagem não sabendo de algo é fonte para muito conflito, porque quando esse personagem descobrir… Então, se lembre, cada personagem pensa de uma forma diferente, o que nos dá, como escritores, muitas opções para brincar com o enredo e suas consequências.

E o mais importante

Não tenha medo de ousar. Se você acha que é diferente demais e não tem certeza, peça ajuda. Sempre terá alguém disposto a estender a mão.

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