DICA DO DIA – Matando personagens, o que fazer e o que não fazer

Olá, como vão todos nessa quarentena? Faz tanto tempo que não nos vemos! É, eu sei, muito tempo, mais do que eu gostaria. Eu tinha planejado vir aqui bem antes, mas parece que eu acordo, fiz quase nada o dia todo e mesmo assim já é outro dia e quando eu vou ver foi outra semana desperdiçada.

Eu também percebi que eu nunca me apresentei aqui. Eu sou a Ana, 28 anos, moro em São Paulo, estava fazendo faculdade, mas tive que parar por causa da pandemia. Escrevo desde 2008, a maioria fanfiction AU que poderia muito bem ser originais se eu conseguisse me desprender do meu Pernico. Meu apelido pelas plataformas é Accohen ou AnaCcohen, decidi começar a fazer um blog sobre escrita criativa para manter um registro do que eu vejo pela internet e o que eu estudo sobre escrita. Primeiro, comecei a colocar meus posts no wordpress, tentei também começar um grupo no facebook que eu não consegui manter, depois coloquei meus posts no tumblr, o que eu nunca achei que fosse dar tão certo. Foi uma longa jornada até aqui e eu pretendo continuar por aqui por muito mais tempo.

E só para não perder o costume trago alguns pensamentos sobre personagens, o que fazer e o que não fazer com eles. Eu li um post sobre como matar personagens e achei interessante estender esse tema e dar minhas próprias considerações.

No post dizia porque, como e quem se deve matar ou não. Abaixo irei traduzir o post e adicionar meus pensamentos.

Porque você deveria

  • A morte é um ponto importante da trama
  • Revela um plot twist na trama
  • Ele suporta os temas/o que você está tentando transmitir com seu livro
  • Seu romance explora a vida após a morte
  • Você é George R.R Martin e o ponto de venda do seu trabalho é que todo mundo morre
  • Adapta-se ao gênero/ ao seu romance

Já, eu, como leitora e escritora, me recuso a usar a morte como uma ferramenta de escrita ou enredo. Eu só mato um personagem se ele não for protagonista, antagonista ou coadjuvante e somente se ele merecer ou a história pedir. Os casos de romances em que retratam a vida após a morte também. O que não se deve fazer em hipótese nenhuma é tentar cobrir um furo narrativo com mortes ou não saber mais o que fazer com o personagem. Isso é pura preguiça e descaso com a sua história.

Porque você não deveria

  • O personagem não serve a nenhum propósito (este não é o The Sims)
  • Você quer que seus leitores fiquem chocados por ficarem chocados
  • Você quer colocar mais angústia na história
  • Você acha que sua história precisa de mais sangue
  • Você quer romantizar o luto perda

Nesse ponto, eu concordo com a escritora. Morte não é uma ferramenta para trazer tristeza para a história. Morte deveria significar mais do que um ponto no enredo.

Como você veria

Nesse tópico, a escritora explica que depende do seu gênero e público-alvo:

“Se você está escrevendo algo que não se destina a ser explícito/traumático, pode se focar no impacto que a morte tem nos outros personagens. Se o seu romance explora doenças, concentre-se nisso, e não na perturbadora cena de morte propriamente. Talvez você esteja escrevendo um drama/romance trágico – você pode querer pegar leve no terror. Para esses gêneros, sugiro focar no aspecto emocional da morte – os soluços, as últimas palavras e as luzes brancas brilhantes. Pense em Mufasa em ‘O Rei Leão’ – as ações são de suspense, mas não o vemos sendo pisoteado com suas entranhas espalhadas por toda parte. Mas ainda é uma das mortes mais impactantes da história ficcional.

Se você está escrevendo em um gênero mais maduro e corajoso (como suspense, fantasia sombria ou crime), pode dar tudo de si. Se houver sangue e tripas, é provável que os leitores o vejam com detalhes vívidos para suprir a necessidade de violência do dia.

Seja qual for o gênero em que seu romance se encaixa, você também deve escolher o que lhe parecer mais confortável. Mesmo se você estiver escrevendo fantasia sombria para adultos, não precisará escrever violência explícita para causar impacto na morte de um personagem.”

Aqui eu também concordo com ela. A verdade é que eu não costumo pensar fora do gênero que eu escrevo, então, esse é um bom exemplo, um bem explicativo.

Como você não veria

Aqui ela fala sobre os personagens terem um monólogo de três páginas depois de terem sido esfaqueados na garganta. Isso me fez rir, porque é verdade, eu já fiz isso, porém o monólogo foi bem curto e não era um adeus permanente. Ela diz que não é realista e muitas vezes é muito chato.

“Sim, algumas últimas palavras bem escritas podem ter um grande impacto. Apenas certifique-se de que seu personagem seja capaz de falar realisticamente nesse ponto e que não se torne um festival de horrores.

A menos que você esteja buscando um humor muito sombrio/niilista, dê dignidade aos seus personagens na maneira como eles chutam o balde. (por exemplo, não use a frase “chute o balde”). Ter alguém escorregando em uma casca de banana e depois engasgando com um pretzel é um pouco ridículo e fará a história toda parecer boba. Mais uma vez, isso realmente depende do que você está procurando. Se seu gênero é sério e seu personagem é importante e amado, tente mais a emoção do que o ridículo.”

Outro ponto interessante é quando ela diz, “Não deixe seus personagens morrerem para ressuscitar novamente e novamente. Olha, eu amo Supernatural (por muito tempo que eles reinem), mas até eu tenho que admitir que a sorte dos irmãos Winchester com a morte se tornou um pouco ridícula. Fazer isso tira o impacto da morte – remove o medo e o suspense e deixa os leitores emocionalmente atrofiados.”

Quem você não deve

  • Sua única personagem feminina em uma tentativa de fazer o herói sentir algo e se tornar uma pessoa melhor
  • Seu único personagem LGBTQIA +, que é puro demais para viver neste mundo terrível
  • Seu único personagem de cor, que morre para salvar o herói branco
  • Seu único personagem com deficiência, que agora pode finalmente encontrar libertação da vida com deficiência
  • O único personagem que nunca experimentou um pedaço de alegria e suporta o peso da tragédia, exatamente quando a felicidade está finalmente ao seu alcance
  • O personagem principal no meio da história – a menos que você tenha um plano REALMENTE bom para o que acontece a seguir

Nesse ponto eu concordo completamente. Nunca mate um personagem que simboliza as minorias, é como se você estivesse dizendo que elas não importam e no final, essas minorias, são o que atraem a maioria dos leitores. É mostrar que você se importa e tem respeito por todos os gêneros.

Para encerrar, me diga: há algo que você faria ou não faria relacionado a personagens?

FONTE

https://thatwritergirlsblog.tumblr.com/post/183661710495/killing-off-characters-the-shoulds-and-shouldnts

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