GÊNEROS LITERÁRIOS, GÊNEROS TEXTUAIS, NARRAÇÃO E SEUS ASPECTOS

Uma breve noção histórica sobre gêneros literários

Antes de nos aprofundar na prática da escrita narrativa em si, acho de profunda necessidade que comecemos nosso estudo pela origem do conceito de criar histórias, passando primeiro a observar a teoria literária de Aristóteles e Platão onde os filósofos escolheram dividir os gêneros da escrita literária da seguinte forma: O épico (narração), o lírico e o dramático.  Essa divisão de gêneros literários se dá, porque, de acordo com alguns autores, esses aspectos da teoria literária correspondem às faculdades psíquicas da antiga tripartição da alma humana de Platão: sentimento, pensamento e vontade.

Gênero épico-narrativo

O gênero épico, agora tendo adotado uma nomenclatura moderna para gênero narrativo é composto de uma história que se desenrola através de uma sequência de várias ações reais ou imaginárias. Essa sucessão de acontecimentos é contada por um narrador e está estruturada em introdução, desenvolvimento, clímax e conclusão.

Ao longo dessa estrutura narrativa são apresentados os principais elementos da narração: espaço, tempo, personagem, enredo e narrador.

Características do gênero narrativo

  • É escrito maioritariamente em prosa;
  • A ação é contada por um narrador;
  • Ocorre a narração de uma sucessão de acontecimentos;
  • Apresenta a estrutura básica de introdução, desenvolvimento e conclusão;
  • A ação se desenrola num tempo e num espaço;
  • Pode ser utilizado um discurso direto, indireto ou indireto livre.

Subgêneros do gênero narrativo

Romance: Narrativa em prosa, extensa e complexa, sobre personagens fictícias que vivenciam acontecimentos imaginários num determinado espaço e tempo. Além de relatar aventuras, os romances habitualmente traçam perfis psicológicos de personagens, caracterizam uma época e criticam costumes sociais.

Novela: Narrativa em prosa mais breve do que o romance e mais extensa do que o conto. Normalmente, apresenta o desenvolvimento sequencial de vários enredos interligados, sendo uma narração dinâmica em capítulos.

Conto: Narrativa em prosa mais breve do que o romance e a novela, cujo enredo é intenso e rápido, ocorrendo uma ou poucas ações, vivenciadas num curto espaço de tempo por poucas personagens, que são superficialmente caracterizadas.

Epopeia ou poesia épica: Narrativa em verso, extensa e complexa, sobre atos heroicos de uma personagem ou conjunto de personagens em acontecimentos extraordinários, dignos de serem imortalizados.

Fábula: Narrativa em verso ou em prosa sobre personagens e fatos fantásticos. Apresenta duas características marcantes: ser protagonizada principalmente por animais e ter como finalidade transmitir uma lição de moral, possuindo um cunho educativo.

Crônica: Narrativa em prosa, sucinta e informal, que aborda temas simples e cotidianos. Faz uma crítica a acontecimentos do dia a dia, recorrendo ao humor. Tem como objetivo analisar e criticar a realidade social, política ou cultural. Dos textos literários é o que mais se aproxima do texto jornalístico.

Ensaio: Narrativa breve e impessoal, em prosa, cuja finalidade é apresentar ideias, críticas, reflexões e pontos de vista sobre um assunto. Possui um cunho didático.

Gênero épico e gênero narrativo: qual a diferença?

O gênero épico era, então, entendido como extensas narrativas que contavam feitos grandiosos de um herói ou de um povo, imortalizando os acontecimentos narrados, visto serem de interesse mundial, como a fundação de cidades, a descobertas de novas terras e a conquista territorial. Usavam uma linguagem elaborada e narravam os acontecimentos de uma forma extraordinária e sobrenatural, com a presença de personagens mitológicas que participavam no desenrolar dos acontecimentos. Muitas dessas narrativas foram feitas em verso – os chamados poemas épicos.

Com o decorrer do tempo e a evolução das sociedades, os poemas épicos foram, aos poucos, caindo em desuso, sendo substituídos por extensas narrativas em prosa – os romances.

Presentemente, privilegia-se a substituição do gênero épico pelo gênero narrativo, mais abrangente e atual. Os textos épicos passaram então a ser encarados como uma subdivisão do gênero narrativo, sendo mais usada atualmente a seguinte divisão: gênero narrativo, gênero lírico e gênero dramático.

FONTE: https://www.normaculta.com.br/genero-epico-ou-narrativo/

Gênero lírico

O gênero lírico se refere ao tipo de texto literário onde predomina a expressão de sentimentos e emoções subjetivas do sujeito lírico – o eu lírico. São majoritariamente escritos em verso, sendo textos breves por não apresentarem enredo, mas sim a exteriorização do mundo interior do eu lírico. Essa transmissão dos sentimentos, emoções e divagações do sujeito lírico é feita na 1.ª pessoa, conferindo grande subjetividade ao texto. Recorre à função poética da linguagem, sendo frequente o uso do sentido conotativo das palavras e de figuras de linguagem, com o sentido de aumentar a expressividade da mensagem.

Características do gênero lírico

  • É escrito em verso, na 1.ª pessoa do discurso – eu;
  • Há a expressão de sentimentos e emoções;
  • Ocorre a exteriorização de um mundo interior;
  • Apresenta um caráter subjetivo;
  • As palavras são usadas no seu sentido conotativo;
  • Apresenta muitas figuras de linguagem.

Subgêneros do gênero lírico

Ode: Poema lírico de exaltação, entusiasmo e alegria.

Hino: Poema lírico de glorificação, homenagem e louvor a divindades e à pátria.

Elegia: Poema lírico melancólico sobre a morte e a tristeza.

Idílio: Poema lírico sobre a vida pastoril e bucólica.

Écloga: Poema lírico sobre a vida pastoril e bucólica, que recorre ao uso de diálogos.

Epitalâmio: Poema lírico para celebração do casamento, que homenageia os noivos e o vínculo conjugal.

Sátira: Poema lírico cujo objetivo é ridicularizar pessoas e situações, criticando e ironizando defeitos e vícios.

Estrutura formal dos textos líricos

Até ao fim da idade média, os poemas eram cantados, seguindo estruturas formais rígidas relativamente à métrica, rimas e estrofes. Assim, o gênero lírico sempre foi caracterizado por sua musicalidade, sendo de grande importância o ritmo da poesia. Atualmente, contudo, a poesia moderna abandonou essa estrutura formal, centrando-se apenas na transmissão de emoções e na subjetividade.

FONTE: https://www.normaculta.com.br/genero-lirico/

Gênero dramático

A principal característica de um texto pertencente ao gênero dramático é ser feito para ser encenado. Não existe um narrador que conta a ação, sendo o enredo apresentado através das falas das personagens, representadas por atores que vivenciam os acontecimentos. Assim, os diálogos e monólogos assumem uma importância fulcral.

Características do gênero dramático

  • É construído para a sua encenação, estando dividido em atos e cenas;
  • A história é contada pela fala das personagens;
  • Apresenta indicações cênicas que auxiliam a representação.

Estrutura do texto dramático

A estrutura do texto dramático, independentemente de ser feito em verso ou em prosa, atua como facilitadora da dramatização. Para tal, fornece elementos auxiliadores da representação, como indicações do cenário, da música, da iluminação, do figurino… bem como outras indicações cênicas – chamadas rubricas ou didascálias – que guiam o ator durante a peça de teatro.  Assim, um texto do gênero dramático apresenta esses dois tipos de conteúdos: o discurso direto das personagens e as indicações cênicas (rubricas ou didascálias).

Os textos dramáticos estão subdivididos em atos e cenas e apresentam o nome da personagem que dialoga antes da sua fala, marcando assim a sua entrada em cena. Normalmente segue uma sequência linear de: situação inicial, complicações com um ponto culminante (tensão) e desfecho.

Atualmente, as peças teatrais tentam aproximar os conflitos vividos pelas personagens dos conflitos vividos pela audiência, privilegiando-se a liberdade de expressão. Com a tendência atual de converter qualquer tipo de texto para representação teatral, são cada vez mais infrequentes textos puramente do gênero dramático.

Subgêneros do gênero dramático

Auto: Peça teatral sobre temas religiosos ou profanos com teor moralizante que, através de alegorias, visa satirizar e educar. As personagens são frequentemente representadas de forma abstrata: a bondade, a fome, a inveja e etc.

Comédia: Peça teatral que visa criticar os defeitos humanos e da sociedade através da exploração de situações ridículas e cômicas do cotidiano. As personagens são maioritariamente estereotipadas.

Tragédia: Peça teatral sobre um acontecimento trágico, que retrata adversidades e sofrimento das personagens, culminando num final funesto. Visa impressionar a audiência, provocando terror e compaixão.

Tragicomédia: Peça teatral que mistura características da comédia e da tragédia. São abordados assuntos trágicos e é retratada a desgraça das personagens com elementos cômicos e toques de humor.

Farsa: Peça teatral sobre situações grotescas e ridículas da vida cotidiana e familiar. Apresenta um caráter exageradamente caricatural e satírico. Visa criticar a sociedade e provocar o riso da audiência.

FONTE: https://www.normaculta.com.br/genero-dramatico/

Adendo:

Para que não haja nenhuma dúvida, não se deve confundir o gênero dramático com o gênero roteiro. Aqui eu encontrei um post falando brevemente sobre o assunto. E aqui está a página do wikipedia também dando uma breve explicação sobre o roteiro, a quem interessar.

Gêneros textuais

Continuando nosso estudo, daremos continuação ao assunto, passando rapidamente pelos gêneros textuais para enfim chegarmos na narração.

Tipos de Gêneros Textuais

Cada texto possui uma linguagem e estrutura. Note que existem inúmeros gêneros textuais dentro das categorias tipológicas de texto. Em outras palavras, gêneros textuais são estruturas textuais peculiares que surgem dos tipos de textos: narrativo, descritivo, dissertativo-argumentativo, expositivo e injuntivo.

Texto Narrativo

Os textos narrativos apresentam ações de personagens no tempo e no espaço. A estrutura da narração é dividida em: apresentação, desenvolvimento, clímax e desfecho.

Alguns exemplos de gêneros textuais narrativos:

  • Romance
  • Novela
  • Crônica
  • Contos de Fada
  • Fábula
  • Lendas

Texto Descritivo

Os textos descritivos se ocupam de relatar e expor determinada pessoa, objeto, lugar, acontecimento. Dessa forma, são textos repletos de adjetivos, os quais descrevem ou apresentam imagens a partir das percepções sensoriais do locutor (emissor).

São exemplos de gêneros textuais descritivos:

  • Diário
  • Relatos (viagens, históricos, etc.)
  • Biografia e autobiografia
  • Notícia
  • Currículo
  • Lista de compras
  • Cardápio
  • Anúncios de classificados

Texto Dissertativo-Argumentativo

Os textos dissertativos são aqueles encarregados de expor um tema ou assunto por meio de argumentações. São marcados pela defesa de um ponto de vista, ao mesmo tempo que tentam persuadir o leitor. Sua estrutura textual é dividida em três partes: tese (apresentação), antítese (desenvolvimento), nova tese (conclusão).

Exemplos de gêneros textuais dissertativos:

  • Editorial Jornalístico
  • Carta de opinião
  • Resenha
  • Artigo
  • Ensaio
  • Monografia, dissertação de mestrado e tese de doutorado

Texto Expositivo

Os textos expositivos possuem a função de expor determinada ideia, por meio de recursos como: definição, conceituação, informação, descrição e comparação.

Alguns exemplos de gêneros textuais expositivos:

  • Seminários
  • Palestras
  • Conferências
  • Entrevistas
  • Trabalhos acadêmicos
  • Enciclopédia
  • Verbetes de dicionários

Texto Injuntivo

O texto injuntivo, também chamado de texto instrucional, é aquele que indica uma ordem, de modo que o locutor (emissor) objetiva orientar e persuadir o interlocutor (receptor). Por isso, apresentam, na maioria dos casos, verbos no imperativo.

Alguns exemplos de gêneros textuais injuntivos:

  • Propaganda
  • Receita culinária
  • Bula de remédio
  • Manual de instruções
  • Regulamento
  • Textos prescritivos

Conheça mais gêneros textuais:

FONTE: https://www.todamateria.com.br/generos-textuais/

Narração

Agora que entendemos como escrever nossos gêneros da forma adequada, analisaremos o que um texto precisa ter para que seja considerado uma narração.

Estrutura narrativa

A forma mais simples de montar uma estrutura narrativa é composta de apresentação, desenvolvimento, clímax e desfecho.

  • Apresentação: é onde nosso protagonista é apresentado junto com o mundo a qual ele pertence, o contexto em que ele está inserido, lugar, período, narrador e tudo mais que nosso personagem considera importante para ele. A introdução se refere à situação inicial da história. Ficamos sabendo quem, quando e onde.
  • Desenvolvimento: é onde as cenas serão inseridas a fim de mostrar a história, modificando essa situação inicial. Essas cenas são construídas a partir das ações dos personagem numa sucessão de acontecimentos, assim se montando a trama que culminará no nosso clímax. O desenvolvimento deve incluir conflitos (obstáculos que impeçam que nosso protagonista chegue ao objetivo dele), antagonistas (personagens se que se oponham fisicamente ao nosso protagonista), coadjuvante (se ele não tiver sido inserido na apresentação, deverá ser mostrado apoiando nosso protagonista) e personagens de apoio (se o coadjuvante não for suficiente para fazer com que nosso protagonista queira sair da zona de conforto. Ele também deve ajudar o protagonista a alcançar o objetivo final, se for necessário). Ficamos sabendo o quê e como.
  • Clímax: é onde o ponto alto da trama acontece. Entretanto, se você observar o enredo de alguma delas há mais de um clímax durante a história. O clímax pode ser uma virada de enredo e pode ser o momento que algo é revelado, e em última instância, é o momento que antecede o final da história onde o protagonista encontra o que buscou por toda a história.
  • Desfecho ou conclusão: é onde mostramos as últimas cenas após a vitória ou derrota de nosso protagonista, é a parte da narração em que se resolvem os conflitos (positiva ou negativamente). Ele conseguiu alcançar o objetivo dele? E se ele alcançou, ele está satisfeito com o resultado? Esse é o momento em que ele volta para o mundo comum e onde veremos o quanto ele mudou e como o mundo ao redor dele foi afetado, evidenciando a relação existente entre os diferentes acontecimentos e nos apresentando suas consequências. Entretanto, há várias maneiras de se concluir uma história, como, por exemplo, esclarecer algo que não ficou claro, dizer para onde o personagem pretende ir a partir daquele momento, decidir se o personagem foi realmente foi vitorioso ou se ele perdeu mais do que ganhou. O final pode ser aberto (sem conclusão clara) ou fechado (o feliz ou infeliz para sempre), o importante é mostrar que o personagem passou por mudanças mesmo que elas sejam negativas.

Enredo

Também conhecido por trama, o enredo é o elemento que dá sequência a uma história, isto é, são cenas que ocorrem num determinado tempo e espaço e que poder ser principais ou secundárias, dependendo da importância que apresentam na narração. Essas cenas são escritas uma após a outra e se complementam em um sistema linear ou não-linear, também podendo ser um enredo psicológico ou cronológico (que serão explorados na próxima aula).

Tipos de enredo

O enredo linear segue uma sequência cronológica de cenas e é apresentado de maneira lógica, ficando claro onde está o começo, o meio e o fim da narrativa, também usando a estrutura narrativa anteriormente descrita, organizada por: apresentação, desenvolvimentos, clímax e desfecho.

O enredo não linear não segue uma sequência cronológica de cenas, podendo ser apresentado por seu desfecho ou ser revelado ao longo da narrativa, pode ser intercalado com cenas do presente e do passado ou até ser o encontro de duas histórias contadas no mesma narrativa. Ela é descontinuada, com saltos, antecipações, retrospectivas, cortes e rupturas do tempo e do espaço em que se desenvolvem as ações. O tempo cronológico pode se misturar ao psicológico e o espaço exterior com os espaços interiores (memória e imaginação dos personagens).

Aqui seguem mais exemplo de enredo não linear:

  • Alteração da ordem temporal (anacronia);
  • Analepse (recuo a acontecimentos passados);
  • Prolepse (antecipação de acontecimentos futuros);
  • Isocronia (conforme ritmo dos acontecimentos)
  • Elipse (omissão de acontecimentos);
  • Pausa narrativa (interrupção da história para dar lugar a descrições ou divagações).

Narrador

Narrador é o elemento que determina o foco narrativo, ou seja, aquele que conta e dá a perspectiva da história, muitas vezes manipulando a forma que os fatos são mostrados a fim de controlar como a informação vai chegar ao leitor e, assim, usando tal ponto de vista para transformar alguns personagens em heróis e outros, em violões.

Os narradores mais conhecidos são três: Narrador personagem, Narrador observador e o Narrador onisciente.

  • Narrador Personagem: Narração em primeira pessoa, ele participa da história ativamente. Pode ser o protagonista ou pode se alguém que observa de perto, como um amigo próximo ou um familiar.
  • Narrador Observador: Narração feita em terceira pessoa. Geralmente tem o ponto de vista somente de um personagem, ele conta a história pelo olhar do protagonista, mas desconhece outros tipos de perspectivas narrativas. O que outros personagens pensar não é claro a ele.
  • Narrador Onisciente: Narração feita em terceira pessoa. Ele sabe de tudo e vê tudo, conhece todos os detalhes sobre a história e sabe tudo sobre todos os personagens. Esse é o melhor tipo de narrador para controlar a perspectiva que é passada aos leitores, tendo a possibilidade de transformar o vilão no herói e vise e versa.

Personagens

Personagens são classificados conforme a importância deles na história. Há os protagonistas que praticam a ação na maioria dos casos e há os secundários, que são os coadjuvantes e personagens de apoio (figurantes) que ajudam nosso protagonista a ultrapassar o desafios impostos a ele. Eles são caracterizados através de qualidades físicas e psicológicas, podendo ser feito de modo direto, explicitada pelo narrador ou por outras personagens ou de modo indireto, feita com base nas atitudes e comportamento das personagens. Os personagens também podem ser dinâmicos, apresentando diferentes comportamentos ao longo da narração assim sendo capazes de evoluir psicologicamente durante a trama, os chamados personagens esféricos ou redondos, ou podem ser estáticos, não se modificando no decorrer da ação e sem evolução, se comportando da mesma forma previsível durante a trama, os chamados personagens planos.

Espaço

O espaço se refere ao local onde se desenrola a narração. Pode ocorrer num ambiente físico, em um ambiente psicológico ou em um ambiente social.

O espaço ou ambiente físico se refere ao mundo em seu sentido mais geográfico. É nesse aspecto que decidimos em que lugar a história se passa, pode ser na Alemanha, China ou em uma galáxia bem distante. Também podendo usá-lo para aprofundar nossa noção de mundo, dando uma característica única ao nosso texto. Por exemplo: uma história que se passa no campo e outra que se passa na praia podem contar enredos completamente diferentes.

O espaço ou ambiente psicológico se refere aos aspectos emocionais dos personagens. Ele abrange as experiências de vida, pensamentos e as emoções, também podendo ser usado para a construção de personagens e relações entre personagens.

O espaço ou ambiente social se refere ao universo social que nossos personagens estão inseridos, como todos os personagens que se encontram em nossa história e ideologia usada nesse mundo. Alguns exemplos são: abo, distopias e conceitos culturais no geral.

Tempo

O tempo se refere a marcação do tempo dentro da narrativa que pode ser ter os seguintes aspectos:

O tempo cronológico se refere a sucessão cronológica dos acontecimentos narrados, indicado pelas horas, dias, anos e etc.

O tempo psicológico se refere às lembranças e vivências das personagens, sendo subjetivo e influenciado pelo estado de espírito das personagens em cada momento.

O tempo histórico se refere à época ou momento histórico em que a narração se desenrola.

Discurso Narrativo

Nos textos narrativos, é através da voz do narrador que conhecemos o desenrolar da história e as ações das personagens, mas é através da voz das personagens que conhecemos as suas ideias, opiniões e sentimentos. A forma como a voz das personagens é introduzida na voz do narrador é chamada de discurso.

Através de uma correta utilização dos tipos de discurso, a narrativa poderá assumir um caráter mais dinâmico, mais natural ou ou menos interessante que outros. Existem três tipos de discurso, ou seja, três formas de introdução das falas das personagens na narrativa:

  • O discurso direto é caracterizado por ser uma transcrição exata da fala das personagens, sem participação do narrador. A própria personagem fala.

Exemplos de discurso direto:

  • O desconhecido perguntou: 一 Que horas são, por favor?
  • Foi então que ele disse: 一 Estou cansado de tanta confusão!
  • Todos os dias minha mãe me dizia: “Fique atenta e não faça bagunça nas aulas.”

 

  • O discurso indireto  é feito pela interferência do narrador na fala da personagem. Em outras palavras, é narrado em 3ª pessoa uma vez que não aparece a fala da personagem.

Exemplos de discurso indireto:

  • O desconhecido perguntou que horas eram.
  • Foi então que ele disse que estava cansado de tanta confusão.
  • Todos os dias minha mãe me dizia que ficasse atenta e não fizesse bagunça nas aulas.

  • O discurso indireto livre é caracterizado por permitir que os acontecimentos sejam narrados em simultâneo, estando as falas das personagens direta e integralmente inseridas dentro do discurso do narrador.

Exemplos de discurso indireto livre:

  • Então Paula corria, corria o mais que podia para tentar resolver a situação. Logo a mim, logo a mim isso tinha que acontecer! Ela não sabia se conseguiria chegar a tempo e resolver aquela confusão. Tomara que eu consiga!
  • Na fazenda, os dias de Frederico eram sempre iguais. Alimentava os animais e regava as plantas. Ainda não remendei a mangueira que furou ontem… Depois, Frederico colhia alguns alimentos e limpava o campo. Com este calor, acho que vou é ficar sem fazer nada, deitado na rede.

Proposta de desafio

Enfim, chegamos ao fim dessa aula. Sei que seria melhor fazer uma aula para cada assunto, mas decidi que essa aula teria um viés mais educativo do que criativo, porque, afinal, precisamos aprender a base para então termos os instrumentos para executar a prática de forma aceitável. Outro motivo de eu ter feito esse resumo é que levaríamos o resto do ano para falar de cada um deles com detalhes. Alguns deles não iriam fazer muita falta, mas já outros seriam interessante para nos fazer pensar como exatamente estamos desenvolvendo nossas histórias. Por enquanto, não vou pedir nada que exija muito esforço, somente uma ficha de elementos básicos da narrativa que vocês deverão responder abaixo. Vou também colocar mais tarde um questionário perguntando quais aspectos vocês gostariam de ver.

Obrigada e aqui vai a ficha.

Ficha de elementos básicos da Narrativa

Gênero Literário:
Gênero Textual:
Tipo de enredo: Linear ou não linear?
Qual o narrador? Personagem, Observador ou onisciente?
Personagens principais: Plano ou esférico?
Na sua história há coadjuvantes? Personagens de apoio? Eles são planos ou esféricos?
Espaço: Descreva o tempo físico, psicológico e social da melhor forma que você puder.

Tempo: Descreva o tempo cronológico, psicológico e histórico.

2 comentários em “GÊNEROS LITERÁRIOS, GÊNEROS TEXTUAIS, NARRAÇÃO E SEUS ASPECTOS

  1. Pingback: CANTO CRIATIVO

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