GUIA DE ESTILO

Bom dia, como vão todos? Hoje eu trago mais um aspecto da escrita que acho de extrema importância. O Guia de Estilo, ou como os jornalistas gostam de chamar, Manual de Redação.

Como já foi mencionado em posts anteriores, um guia de estilo são diretrizes para a escrita de um bom texto. Basicamente, é um documento que vai te dizer o que é aceitável ou não em um texto. É usado por todos os tipos de escritores e em diversas profissões, como jornalistas, revisores, editores e tantos outros mais, sendo que cada profissão usará um guia de estilo que melhor o couber. Entretanto, um guia de estilo não se trata apenas de ortografia e gramática, é uma cartilha que nos diz qual é o nicho dessa empresa, sua ética, objetivos, modelos de formatação de texto e a proposta geral do que se trata tal site ou organização. Aqui apenas focaremos em histórias e literatura, em como podemos melhorar nosso texto e em como podemos adequar nossa escrita á histórias e narrações.

Qual a necessidade de um guia de estilo?

Em primeiro lugar precisamos nos fazer a seguinte pergunta:

  • Por que há tantos textos ruins?

Precisamos deixar claro que um texto falado e um texto escrito são duas modalidades extremamente diferentes. Eles têm modos diferentes de serem expressados e tem funções e objetivos diferentes a desempenhar. Até a forma que nos comunicamos por aplicativos é diferente de todos os outros tipos de comunicação. Agora pense assim, imagine que você está em um aplicativo e alguém te manda um texto em latim. Não é o que você espera receber em um desses meios de comunicação, não é? Esse exemplo também se aplica perfeitamente o que não deveria acontecer em um romance.

Sendo assim:

Cada tipo de texto deve ser usado no meio que melhor lhe couber. Se você está escrevendo um recado a alguém, o esperado que é que se mande um email ou uma carta, se é um romance, o esperado é que seja uma narração com todos os aspectos que uma narração pede.

  • O que se pode fazer para mudar essa realidade? É culpa das mensagens eletrônicas e redes sociais?

A realidade é bem mais simples do que parece, pois a principal razão desse português mal empregado é devido a falta de conhecimento. Porque, quando você sabe de algo tal coisa se torna óbvia, por consequência, te fazendo imaginar que outras pessoa sabem o mesmo que você. Esse é o momento que esquecemos que o nível de conhecimento de outras pessoas dificilmente vai ser igual a seu, impossibilitando o leitor de visualizar a cena proposta pelo autor. Por esse motivo, o escritor não se dá ao trabalho de explicar os termos técnicos, expor a lógica do argumento ou fornecer os detalhes concretos.

Agora, se é culpa da internet ou não, eu não tenho certeza. Tudo o que sei é que, como escritores, nosso trabalho é nos adequar tanto às regras da gramática e ortografia quando as regras que a própria literatura nos impõe. Afinal, você não mandaria um email sobre compras como um trabalho de mestrado, mandaria?

Aspectos para um bom guia de estilo

Como explicado anteriormente, um guia de estilo são instruções para regras de estilo e padronização de um documento, pois além de ajudar a padronizar o texto, deixa o texto claro, coerente e coeso, servindo como uma ferramenta de controle de qualidade.

Essa padronização pode ser ortográfica, terminológica e de estilo. São questões de grafia, de estilo da língua portuguesa, uso de tempos verbais, concordância e regência que alteram em muito a qualidade de um texto. Existem alguns aspectos obrigatórios que todos nós deveríamos prestar atenção em uma narração e em outros casos, são preferências nossas, como qual tempo verbal usar ou quem narra a história. O importante é que elas devem ser aplicadas por igual ao longo do texto.

Outro aspecto importante é definir o que será abordado no nosso guia de estilo.

Gramática e Ortografia

Dizem que a escrita sempre foi difícil. Esse fato se dá porque as línguas mudam e junto com ela, seus significados também. Um manual de escrita deve refletir o idioma da forma como ele é utilizado atualmente e não como a língua era usada em épocas passadas. Sem contar que temos mais familiaridade com a língua do século XXI do que com o que as pessoas usavam 50 anos atrás. Temos melhores teorias da gramática, temos resultados de experimentos sobre o que torna uma sentença fácil ou difícil de entender e temos estudos sobre a história do uso da língua e suas controvérsias. Entretanto, isso não nos torna menos entendedores de nossa própria língua, alguns sabem mais e outros, menos, tudo vai depender do seu nível de conhecimento e estudo.

Clareza textual

A clareza textual é um dos quesitos mais importantes na criação de um texto, porque quem se expressa com clareza pensa com clareza; isto é, é preciso que tenhamos certa habilidade linguística que nem todos tem a sua disposição, sobretudo para aqueles que, por diversos motivos, não cultivam o hábito da leitura. Diversos estudos concluíram que o ser humano tem uma tendência a esquecer o esforço que lhe custou ao adquirir certo conhecimento, passando a tratá-lo como algo comum e cotidiano, mas, apesar dessa dificuldade, existem algumas técnicas que fazem da escrita uma missão possível, e conhecê-las é fundamental para se ter um texto compreensível.

Aqui estão alguns aspectos que nos ajudam a evitar esses vícios de linguagem:

  • evite o jargão;

  • cuidado com abreviações;

  • procure explicar os termos técnicos e seja generoso com comparações e exemplos.

  • A mensagem deve ser elaborada de forma compreensível;

  • Escolha um vocabulário acessível e lembre-se do leitor: Seu texto deve ser escrito para que ele entenda a mensagem

Um escritor atencioso deve saber que há um limite para o conjunto de dados que o leitor pode processar ao mesmo tempo – e o limite é estreito, algo como três a quatro conceitos de cada vez, segundo os neurocientistas. É possível agrupar as informações em blocos, e assim abrir espaço para mais informações, mas isso exige familiaridade com o tema. A escolha adequada do vocabulário, uma boa pontuação e construções sintáticas bem ordenadas são alguns dos elementos que também colaboram para a clareza textual.

Mas será que você sabe o que ela é?

A clareza textual está relacionada à coerência e à coesão, dois recursos que não devem faltar em um bom texto. Ela diz respeito à maneira como as ideias são organizadas a fim de que o objetivo final seja alcançado: a compreensão textual.

Dicas para a clareza textual:

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1 – Fique por dentro do tema: Para ficar preparado para discorrer sobre qualquer assunto, você deve manter-se informado; não se esqueça de fazer sua pesquisa antes de começar a escrever. O domínio sobre o tema influi diretamente na clareza da escrita.

2- Períodos longos X Períodos curtos: Para construir períodos curtos, pontue mais. Frases longas, cheias de períodos, tendem a confundir o leitor e até mesmo quem está escrevendo. A sequenciação lógica depende da organização sintática das frases, por isso, fique atento para não errar e assim prejudicar a coerência de seus argumentos.

3- Cuidado com a pontuação: Um texto que abre mão da boa pontuação fica vulnerável a diversos problemas textuais, entre eles a ambiguidade. A construção de sentidos de um texto depende dos sinais de pontuação, como vírgulas e pontos-finais. Sem eles o leitor certamente encontrará dificuldades para a compreensão.

4- Ordem direta X Inversões sintáticas: Nos textos não literários, prefira a ordem direta, cuja construção sintática obedece à regra sujeito + verbo + complemento. Ao privilegiar a ordem direta, você estará contribuindo para a clareza textual. Nos textos literários, inversões estão liberadas, já que nesse tipo de linguagem há um compromisso com aspectos estilísticos da escrita.

5- Evite abreviaturas e siglas: Recursos muito utilizados quando precisamos redigir de maneira dinâmica, as abreviaturas e as siglas devem ser evitadas na linguagem escrita, pois devemos considerar a possibilidade de que nem todos os leitores conheçam determinado termo em sua forma reduzida.

6- Subjetividade X objetividade: A subjetividade é um recurso expressivo da linguagem que deve ficar restrito aos textos literários. Subjetivismos geralmente revelam estados emocionais, característica que prejudica a objetividade e a clareza textual.

7- Uso do vocabulário: Usar termos obsoletos e obscuros prejudicam a clareza textual, principalmente quando empregados fora do contexto. Uma palavra fora do lugar já é o suficiente para confundir o leitor, portanto, escolha cuidadosamente cada palavra e evite aquelas cujo significado você não tenha muita certeza.

Coerência e coesão

São dois conceitos importantes para uma melhor compreensão textual e para a melhor escrita de trabalhos de redação de qualquer área.

A coesão trata das articulações gramaticais existentes entre as palavras, as orações e frases para garantir uma boa sequenciação de eventos. A coerência, por sua vez, aborda a relação lógica entre ideias, situações ou acontecimentos, apoiando-se, por vezes, em mecanismos formais, de natureza gramatical ou lexical, e no conhecimento compartilhado entre os usuários da língua.

O que é?

  • Coesão

É a forma que elementos do texto se ligam e organizam (palavras, orações, períodos, parágrafos), que cria harmonia entre os elementos de um texto.

Exemplo:

  • Gabriel estuda. Gabriel trabalha. (esse exemplo não é coeso, pois não estabelece uma conexão)
  • Gabriel estuda e trabalha. (Corrigindo o exemplo, agora ele está coeso pois adicionamos o “e”).
  • Coerência

É a propriedade do texto que estabelece a relação de sentido entre o próprio texto e a situação que ocorre.

Exemplo:

  • Aquele garoto não gosta de futebol e, portanto, fica chamando seus amigos para jogar (incoerência, porque quem não gosta de um esporte evita praticá-lo).
  • Fanático por futebol, o pai de João obriga o filho a jogar. Mas aquele garoto não gosta de futebol e, portanto, fica chamando seus amigos para jogar. Assim, ele pode ficar a um canto enquanto os amigos jogam, e a algazarra que fazem dá ao pai a falsa impressão de que o filho está se divertindo (coerência restabelecida por acréscimo de informações ou contexto, ficando assim coerente para os leitores/ouvintes).

Sendo assim:

  • Coesão: É a organização dos elementos de um texto.
  • Coerência: É saber se o texto tem sentido dentro do contexto e situação apresentada.

Obs: Estudaremos mais a fundo sobre Coesão e Coerência em posts futuros.

Vícios de linguagem

Ao contrário das figuras de linguagem, que representam realce e beleza às mensagens emitidas, os vícios de linguagem são palavras ou construções que alteram ou se desviam das normas da língua padrão. Eles costumam ocorrer por descuido ou por desconhecimento das regras normativas, podendo ser ser classificados como: barbarismo, arcaísmo, neologismo, solecismo, ambiguidade, cacófato, eco e Pleonasmo Vicioso (Redundância), Colisão, Hiato, Preciosismo, Gerundismo e Plebeísmo.

Barbarismo

É o desvio relativo à palavra. É quando grafamos ou pronunciamos uma palavra que não está de acordo com a norma culta.

Ele ocorre nos seguintes níveis:

Pronúncia

  • Silabada: erro na pronúncia do acento tônico.
    Por exemplo: Solicitei à cliente suabrica. (rubrica)

 

  • Cacoépia: erro na pronúncia dos fonemas.
    Por exemplo:Estou com poblemas a resolver. (problemas)
  • Cacografia: erro na grafia ou na flexão de uma palavra.
    Por exemplo: Eu advinhei quem ganharia o concurso. (adivinhei)
    O segurança deteu aquele homem. (deteve)

Morfologia

  • Por exemplo:
    Se eu ir aí, vou me atrasar. (for)
    Sou a aluna mais maior da turma. (maior)

Semântica

  • Por exemplo:
    José comprimentou seu vizinho ao sair de casa. (cumprimentou)

Estrangeirismos

Considera-se barbarismo o emprego desnecessário de palavras estrangeiras, ou seja, quando já existe palavra ou expressão correspondente na língua.

  • Por exemplo:
    O show é hoje! (espetáculo)
    Vamos tomar um drink? (drinque)

Arcaísmo

São palavras ou estruturas antigas que deixaram de ser usadas.

  • Por exemplo:
    Vossa Mercê (Você)

Neologismo

É o emprego de novas palavras que não foram incorporadas pelo idioma.

  • Por exemplo:
    Estou a fim de Fulano. (estou interessado).
    Beltrano, não vai dar, deu zebra. (algo não deu certo).
    Vou fazer um bico. (trabalho temporário).

Solecismo

São erros de sintaxe contra as normas de concordância, de regência ou de colocação.

Concordância:

  • Por exemplo:
    Sobrou muitas vagas (Sobraram vagas).

Regência:

  • Por exemplo:
    Hoje assistiremos o filme (Hoje assistiremos ao filme).

Colocação:

  • Por exemplo:
    Dancei tanto na festa que não aguentei-me em pé. (Dancei tanto na festa que não me aguentei em pé)

Ambiguidade

Ocorre quando uma frase causa duplo sentido de interpretação.

  • Por exemplo:
    O ladrão matou o policial dentro de sua casa. (na casa do ladrão ou do policial?).

Cacófato

Refere-se ao som estranho que resulta na união de duas ou mais palavras no interior da frase.

  • Por exemplo:
    Nunca gasta com o que não é necessário.

Eco

Repetição desagradável de terminações iguais.

  • Por exemplo:
    Vicente já não sente dores de dente tão freqüentemente como antigamente quando estava no Oriente.

Obs: O eco na prosa é considerado um vício, um defeito. Já na poesia é o fundamento da rima.

Pleonasmo vicioso ou redundância

Diferentemente do pleonasmo tradicional, tem-se pleonasmo vicioso quando há repetição desnecessária de uma informação.

  • Por exemplo:
    Está na hora de entrar pra dentro.
    Hoje fizeram-me uma surpresa inesperada.
    Encontraremos outra alternativa para esse problema.

Obs: o pleonasmo é considerado vício de linguagem quando usado desnecessariamente, no entanto, quando usado para reforçar a mensagem, constitui uma figura de linguagem.

Colisão

Aproximação de sons consonantais idênticos ou semelhantes.

  • Por exemplo:
    Sua saia saiu suja da máquina.

Hiato

Aproximação de vogais idênticas

  • Por exemplo:
    Traga a água.
    Trago o ovo.

Preciosismo

Exagero da linguagem.

  • Por exemplo:
    Na pretérita centúria, meu progenitor presenciou o acasalamento do astro-rei com a rainha da noite.

Gerundismo

Utilização desnecessária do gerúndio.

  • Por exemplo:
    Vamos estar transmitindo a audiência pela TV.
    Ela vai estar se transferindo de setor.

Plebeísmo

Consiste em utilizar expressões informais demais e populares, incluindo gírias.

  • Por exemplo:
    O aluno que ficou em recuperação teve que “correr atrás do trem”,
    Diego teria que “tirar o atraso”.

Obs: se esse recurso for usado em diálogos, não é considerado um vício de linguagem.

Montando o Guia de Estilo

Agora que já temos um base de como como escrever, veremos mais alguns aspectos de um possível guia de estilo de escrita.

Tome cuidado com os clichês

Clichês, em sua natureza, são parte comum da vida do escritor, eles nos permitem ter uma base já pronta para um personagem e um caminho certo a seguir; o problema é quando eles não têm profundidade e fazem o leitor parar de pensar – o passo seguinte é parar de ler. “Quando um leitor é forçado a passar por uma expressão banal atrás da outra, ele interrompe a conversão da linguagem em imagens mentais e volta simplesmente a balbuciar as palavras”, explica Pinker em referência ao estudo Conventional Language: How Metaphorical Is it? (Linguagem Convencional: Quão Metafórica Ela É?, em tradução direta), publicado em 2000 no periódico Journal of Memory and Language. Por isso, uma solução fácil é pegar esse personagem clichê e adicionar uma outra característica a ele, dando uma profundidade maior ao arquétipo. Se for um oração clichê, tente dizê-la de outra forma ou use metáforas para mostrar o que você quer contar.

Sinônimos

Todo escritor já se encontrou nessa situação, repetir a palavra ou achar outra que se semelhante, mas que não o mesmo e exato significado? Às vezes, a substituição de palavras funciona perfeitamente, outras… nem tanto,  o exagero no emprego de sinônimos pode comprometer a qualidade e a clareza de um texto. Essa mania de sinônimos tem até nome: monologofobia, ou seja, medo de usar a mesma palavra. O termo foi criado pelo escritor Theodore M. Bernstein no livro The Careful Writer (1995). Então fiquem felizes de saber, o jeito é repeti-la e pronto, pois não tem nenhum problema nisso. Meu conselho é tentar não repetir a mesma palavra no mesmo parágrafo e nunca repetir na mesma oração. A não ser que seja impossível de fazer, não repita as palavras quando ela já foi mencionada no mesmo lugar.

Discursos ou orações confusas

Quem é que já não olhou para uma página de um livro e leu dez vezes para ter certeza do que lia? Esse é o caso desse tópico, acontece quando as palavras sofrem transformações de verbos, que colocam a ação em primeiro plano, em substantivos, que “tiram a vida” das frases. “A pesquisadora Helen Sword chama esses termos de palavras zumbis porque elas passeiam pela frase sem apresentar um agente. Como exemplo, ele cita a frase: “Os participantes leram declarações cuja veracidade era confirmada ou negada pela subsequente apresentação de uma avaliação”. Concretamente, o que se passou foi que: “Nós mostramos frases aos participantes, seguidas das palavras ‘verdadeiro’ ou ‘falso’”.

Descrição e consequência

Durante uma cena em um romance frases que trabalham com a ordem cronológica dos acontecimentos tendem a ser compreendidas mais rapidamente. Por isso: “ela tomou banho antes de jantar” é mais claro do que “ela comeu depois de tomar banho”. Da mesma forma, “depois de tomar banho, ela comeu” é entendido mais rapidamente que “Antes de comer, ela tomou banho”. Eu sugiro que a descrição de uma cena seja feita antes da consequência dela porque assim você não antecipa o que vai acontecer e também traz um toque de mistério para a sua história.

Ambiguidades sintáticas

A polícia cercou o ladrão do banco na rua Santos. Afinal, o ladrão do banco da rua Santos foi cercado em um lugar qualquer ou o ladrão de um banco qualquer foi cercado na rua Santos? Quando conhecemos uma história, o significado de uma frase parece óbvio. Tão óbvio que não temos o costume de revisar para ver se alguém poderia entender algo completamente diferente.

Frases

Escrever um boa história pede uma linguagem clara, simples e, às vezes, direta, o que significa evitar o uso excessivo de frases compridas, vocabulário complexo, advérbios e adjetivos em demasiado. As frases devem ser curtas e concisas, até porque os leitores atuais não tem paciência de ficar lendo longas descrições geográficas ou monólogos. No entanto, isso não significa que o estilo de escrita seja desinteressante – jogue inteligentemente com as palavras, procure maneiras novas de dizer o que já foi dito, de forma a conseguir uma escrita criativa e cativante.

Parágrafos

Uma das regras de ouro da escrita é escrever uma ideia por parágrafo – um requisito que é também fundamental para a escrita online. Para além de tornar a organização das ideias mais eficaz e mais clara, dividir um texto em vários parágrafos, onde apenas uma ideia é tratada, torna a leitura da história numa experiência mais agradável e aumenta as chances do leitor não largar pela metade o seu trabalho.

Formato de um Guia de Estilo

Aqui é onde nosso guia toma forma. Na pesquisa em que fiz, a maioria dos manuais de redação apareciam como vocês podem ver abaixo, apenas tópicos indicando como se deve ou não escrever, entretanto eu encontrei um bem detalhado aqui, o da presidência da república. Como eu encontrei quilômetros de instruções, eu só vou colocar o que eu uso no meu dia-a-dia.

Instruções

1 – Seja claro, preciso, direto, objetivo e conciso. Use frases curtas e evite intercalações excessivas ou ordens inversas desnecessárias. Não é justo exigir que o leitor faça complicados exercícios mentais para compreender o texto.

2 – A simplicidade é condição essencial do texto jornalístico. Lembre-se de que você escreve para todos os tipos de leitor e todos, sem exceção, têm o direito de entender qualquer texto, seja ele político, econômico, internacional ou urbanístico. (Aqui diz texto jornalístico, mas eu creio que serve para qualquer tipo de escrita)

3 – A simplicidade do texto não implica necessariamente repetição de formas e frases desgastadas, uso exagerado de voz passiva (será iniciado, será realizado), pobreza vocabular, etc. Com palavras conhecidas de todos, é possível escrever de maneira original e criativa e produzir frases elegantes, variadas, fluentes e bem alinhavadas. Nunca é demais insistir: fuja, isto sim, dos rebuscamentos, dos pedantismos vocabulares, dos termos técnicos evitáveis e da erudição.

4 – Não comece períodos ou parágrafos seguidos com a mesma palavra, nem use repetidamente a mesma estrutura de frase.

5 – Em qualquer ocasião, prefira a palavra mais simples: votar é sempre melhor que sufragar; pretender é sempre melhor que objetivar, intentar ou tencionar; voltar é sempre melhor que regressar ou retornar; tribunal é sempre melhor que corte; passageiro é sempre melhor que usuário; eleição é sempre melhor que pleito; entrar é sempre melhor que ingressar.

6 – Proceda da mesma forma com as palavras e formas empoladas ou rebuscadas, que tentam transmitir ao leitor mera ideia de erudição.

7 – Não perca de vista o universo vocabular do leitor. Adote esta regra prática: nunca escreva o que você não diria. Assim, alguém rejeita (e não declina de) um convite, protela ou adia (e não procrastina) uma decisão, aproveita (e não usufrui) uma situação. Da mesma forma, prefira demora ou adiamento a delonga; antipatia a idiossincrasia; discórdia ou intriga a cizânia; crítica violenta a diatribe; obscurecer a obnubilar, etc.

8 – Termos coloquiais ou de gíria deverão ser usados com extrema parcimônia e apenas em casos muito especiais (nos diálogos, por exemplo), para não darem ao leitor a ideia de vulgaridade e principalmente para que não se tornem novos clichês. Como, por exemplo: a mil, barato, galera, detonar, deitar e rolar, flagrar, com a corda (ou a bola) toda, legal, grana, bacana, etc.

9 – Seja rigoroso na escolha das palavras do texto. Desconfie dos sinônimos perfeitos ou de termos que sirvam para todas as ocasiões. Em geral, há uma palavra para definir uma situação.

10 – No texto narrativo, uma introdução da cena deve ser feita no primeiro parágrafo, onde será fornecido ao leitor as informações básicas e que deverão responder aos seguintes aspectos: o que, quem, quando, onde e como. As que não puderem ser esclarecidas nesse parágrafo deverão figurar, no máximo, no segundo, para que, dessa rápida leitura, já se possa ter uma idéia sumária do que acontece.

11 – Preocupe-se em incluir no texto detalhes adicionais que ajudem o leitor a compreender melhor o fato e a situá-lo: local, ambiente, antecedentes, situações semelhantes, previsões que se confirmem, etc.

12 – Mostre e não conte. Registre no texto as atitudes ou reações das pessoas, desde que significativas: mostre se elas estão nervosas, agitadas, fumando um cigarro atrás do outro ou calmas em excesso, não se deixando abalar por nada. Essas indicações permitem que o leitor saiba como os personagens se comportavam no momento da cena ou do acontecimento.

13 – Em caso de dúvida, não hesite em consultar dicionários, enciclopédias, almanaques e outros livros de referência. Ou recorrer aos especialistas e aos colegas mais experientes.

Os erros mais graves

Alguns erros revelam maior desconhecimento da língua que outros. Vejamos abaixo:

1 – Quando “estiver” voltado da Europa. Nunca confunda tiver e tivesse com estiver e estivesse. Assim: Quando tiver voltado da Europa. / Quando estiver satisfeito. / Se tivesse saído mais cedo. / Se estivesse em condições.

2 – Que “seje” feliz. O subjuntivo de ser e estar é seja e esteja: Que seja feliz. / Que esteja (e nunca “esteje”) alerta.

3 – Ele é “de menor”. O de não existe: Ele é menor.

4 – A gente “fomos” embora. Concordância normal: A gente foi embora. E também: O pessoal chegou (e nunca “chegaram”). / A turma falou.

5 – De “formas” que. Locuções desse tipo não têm s: De forma que, de maneira que, de modo que, etc.

6 – Fiquei fora de “si”. Os pronomes combinam entre si: Fiquei fora de mim. / Ele ficou fora de si. / Ficamos fora de nós. / Ficaram fora de si.

7 – Acredito “de” que. Não use o de antes de qualquer que: Acredito que, penso que, julgo que, disse que, revelou que, creio que, espero que, etc.

8 – Fale alto porque ele “houve” mal. A confusão está-se tornando muito comum. O certo é: Fale alto porque ele ouve mal. Houve é forma de haver: Houve muita chuva esta semana.

9 – Ela veio, “mais” você, não. É mas, conjunção, que indica ressalva, restrição: Ela veio, mas você, não.

10 – Fale sem “exitar”. Escreva certo: hesitar. Veja outros erros de grafia e entre parênteses a forma correta: “areoporto” (aeroporto), “metereologia” (meteorologia), “deiche” (deixe), enchergar (enxergar), “exiga” (exija). E nunca troque menos por “menas”, verdadeiro absurdo lingüístico.

Os erros mais comuns

Erros gramaticais e ortográficos devem, por princípio, ser evitados. Alguns, no entanto, como ocorrem com maior freqüência, merecem atenção redobrada. Veja os erros maiss comuns do idioma e use esta relação como um roteiro para fugir deles.

1 – “Mal cheiro”, “mau-humorado”. Mal opõe-se a bem e mau, a bom. Assim: mau cheiro (bom cheiro), mal-humorado (bem-humorado). Igualmente: mau humor, mal-intencionado, mau jeito, mal-estar.

2 – “Fazem” cinco anos. Fazer, quando exprime tempo, é impessoal: Faz cinco anos. / Fazia dois séculos. / Fez 15 dias.

3 – “Houveram” muitos acidentes. Haver, como existir, também é invariável: Houve muitos acidentes. / Havia muitas pessoas. / Deve haver muitos casos iguais.

4 – “Existe” muitas esperanças. Existir, bastar, faltar, restar e sobrar admitem normalmente o plural: Existem muitas esperanças. / Bastariam dois dias. / Faltavam poucas peças. / Restaram alguns objetos.    / Sobravam idéias.

5 – Para “mim” fazer. Mim não faz, porque não pode ser sujeito. Assim: Para eu fazer, para eu dizer, para eu trazer.

6 – Entre “eu” e você. Depois de preposição, usa-se mim ou ti: Entre mim e você. / Entre eles e ti.

7 – “Há” dez anos “atrás”. Há e atrás indicam passado na frase. Use apenas há dez anos ou dez anos atrás.

8 – “Entrar dentro”. O certo: entrar em. Veja outras redundâncias: Sair fora ou para fora, elo de ligação, monopólio exclusivo, já não há mais, ganhar grátis, viúva do falecido.

9 – “Venda à prazo”. Não existe crase antes de palavra masculina, a menos que esteja subentendida a palavra moda: Salto à (moda de) Luís XV. Nos demais casos: A salvo, a bordo, a pé, a esmo, a cavalo, a caráter.

10 – “Porque” você foi? Sempre que estiver clara ou implícita a palavra razão, use por que separado: Por que (razão) você foi? / Não sei por que (razão) ele faltou. / Explique por que razão você se atrasou. Porque é usado nas respostas: Ele se atrasou porque o trânsito estava congestionado.

11 – Vai assistir “o” jogo hoje. Assistir como presenciar exige a: Vai assistir ao jogo,     à missa, à sessão. Outros verbos com a: A medida não agradou (desagradou) à população. / Eles obedeceram (desobedeceram) aos avisos. / Aspirava ao cargo de diretor. / Pagou ao amigo. / Respondeu à carta. / Sucedeu ao pai. / Visava aos estudantes.

12 – Preferia ir “do que” ficar. Prefere-se sempre uma coisa a outra: Preferia ir a ficar. É preferível segue a mesma norma: É preferível lutar a morrer sem glória.

13 – O resultado do jogo, não o abateu. Não se separa com vírgula o sujeito do predicado. Assim: O resultado do jogo não o abateu. Outro erro: O prefeito prometeu, novas denúncias. Não existe o sinal entre o predicado e o complemento: O prefeito prometeu novas denúncias.

14 – Não há regra sem “excessão”. O certo é exceção. Veja outras grafias erradas e, entre parênteses, a forma correta: “paralizar” (paralisar), “beneficiente” (beneficente),     “xuxu” (chuchu), “previlégio”     (privilégio), “vultuoso” (vultoso), “cincoenta” (cinqüenta), “zuar”     (zoar), “frustado” (frustrado),     “calcáreo” (calcário), “advinhar” (adivinhar), “benvindo” (bem-vindo),     “ascenção” (ascensão),     “pixar” (pichar), “impecilho”     (empecilho), “envólucro” (invólucro).

15 – Quebrou “o” óculos. Concordância no plural: os óculos, meus óculos. Da mesma forma: Meus parabéns, meus pêsames, seus ciúmes, nossas férias, felizes núpcias.

16 – Comprei “ele” para você. Eu, tu, ele, nós, vós e eles não podem ser objeto direto. Assim: Comprei-o para você. Também: Deixe-os sair, mandou-nos entrar, viu-a, mandou-me.

17 – Nunca “lhe” vi. Lhe substitui a ele, a eles, a você e a vocês e por isso não pode ser usado com objeto direto: Nunca o vi. / Não o convidei. / A mulher o deixou. / Ela o ama.

18 – “Aluga-se” casas. O verbo concorda com o sujeito: Alugam-se casas. / Fazem-se consertos. / É assim que se evitam acidentes. / Compram-se terrenos. / Procuram-se empregados.

19 – “Tratam-se” de. O verbo seguido de preposição não varia nesses casos: Trata-se dos melhores profissionais. / Precisa-se de empregados. / Apela-se para todos. / Conta-se com os amigos.

20 – Chegou “em” São Paulo. Verbos de movimento exigem a, e não em: Chegou a São Paulo. / Vai amanhã ao cinema. / Levou os filhos ao circo.

21 – Atraso implicará “em” punição. Implicar é direto no sentido de acarretar, pressupor: Atraso implicará punição. / Promoção implica responsabilidade.

22 – Vive “às custas” do pai. O certo: Vive à custa do pai. Use também em via de, e não “em vias de”: Espécie em via de extinção. / Trabalho em via de conclusão.

23 – Todos somos “cidadões”. O plural de cidadão é cidadãos. Veja outros: caracteres (de caráter), juniores, seniores, escrivães, tabeliães, gângsteres.

24 – O ingresso é “gratuíto”. A pronúncia correta é gratúito, assim como circúito, intúito e fortúito (o acento não existe e só indica a letra tônica). Da mesma forma: flúido, condôr, recórde, aváro, ibéro, pólipo.

25 – A última “seção” de cinema.     Seção significa divisão, repartição, e sessão equivale a tempo de uma reunião, função: Seção Eleitoral, Seção de Esportes, seção de brinquedos; sessão de cinema, sessão de pancadas, sessão do Congresso.

26 – Vendeu “uma” grama de ouro. Grama, peso, é palavra masculina: um grama de ouro, vitamina C de dois gramas. Femininas, por exemplo, são a agravante, a atenuante, a alface, a cal, etc.

27 – “Porisso”. Duas palavras, por isso, como de repente e a partir de.

28 – Não viu “qualquer” risco. É nenhum, e não “qualquer”, que se emprega depois de negativas: Não viu nenhum risco. / Ninguém lhe fez nenhum reparo. / Nunca promoveu nenhuma confusão.

29 – A feira “inicia” amanhã. Alguma coisa se inicia, se inaugura: A feira inicia-se     (inaugura-se) amanhã.

30 – O resultado do jogo, não o abateu. Não se separa com vírgula o sujeito do predicado. Assim: O resultado do jogo não o abateu. Outro erro: O prefeito prometeu, novas denúncias. Não existe o sinal entre o predicado e o complemento: O prefeito prometeu novas denúncias

31 – Soube que os homens “feriram-se”. O que atrai o pronome: Soube que os homens se feriram.     / A festa que se realizou… O mesmo ocorre com as negativas, as conjunções subordinativas e os advérbios:     Não lhe diga nada. / Nenhum dos presentes se pronunciou. / Quando se falava no assunto… / Como as pessoas lhe haviam dito… / Aqui se faz, aqui se paga.     / Depois o procuro.

32 – O peixe tem muito “espinho”. Peixe tem espinha. Veja outras confusões desse tipo: O     “fuzil” (fusível) queimou. / Casa “germinada” (geminada), “ciclo” (círculo) vicioso, “cabeçário” (cabeçalho).

33 – Não sabiam “aonde” ele estava. O certo: Não sabiam onde ele estava. Aonde se usa com verbos de movimento, apenas: Não sei aonde ele quer chegar. / Aonde vamos?

34 – “Obrigado”, disse a moça. Obrigado concorda com a pessoa: “Obrigada”, disse a moça. / Obrigado pela atenção. / Muito obrigado por tudo.

35 – O governo “interviu”. Intervir conjuga-se como vir. Assim: O governo interveio. Da mesma forma: intervinha, intervim, interviemos, intervieram. Outros verbos derivados: entretinha, mantivesse, reteve, pressupusesse, predisse, conviesse, perfizera, entrevimos, condisser, etc.

36 – Ela era “meia” louca. Meio, advérbio, não varia: meio louca, meio esperta, meio amiga.

37 – “Fica” você comigo. Fica é imperativo do pronome tu. Para a 3.ª pessoa, o certo     é fique: Fique você comigo. / Venha pra Caixa você também. / Chegue aqui.

38 – A questão não tem nada “haver” com você. A questão, na verdade, não tem     nada a ver ou nada que ver. Da mesma forma: Tem tudo a ver com você.

39 – A corrida custa 5 “real”. A moeda tem plural, e regular: A corrida custa 5 reais.

40 – Vou “emprestar” dele. Emprestar é ceder, e não tomar por empréstimo: Vou pegar o livro emprestado. Ou: Vou emprestar o livro (ceder) ao meu irmão. Repare nesta concordância: Pediu emprestadas duas malas.

41 – Foi “taxado” de ladrão. Tachar é que significa acusar de: Foi tachado de ladrão.     / Foi tachado de leviano.

42 – Ele foi um dos que “chegou” antes.     Um dos que faz a concordância no plural: Ele foi um dos que chegaram antes (dos que chegaram antes, ele foi um). / Era um dos que sempre vibravam com a vitória.

43 – Ministro nega que “é” negligente. Negar que introduz subjuntivo, assim como embora e talvez: Ministro nega que seja negligente. / O jogador negou que tivesse cometido a falta. / Ele talvez o convide para a festa. / Embora tente negar, vai deixar a empresa.

44 – Tinha “chego” atrasado. “Chego” não existe. O certo: Tinha chegado atrasado.

45 – Tons “pastéis” predominam. Nome de cor, quando expresso por substantivo, não varia: Tons pastel, blusas rosa, gravatas cinza, camisas creme. No caso de adjetivo, o plural é o normal: Ternos azuis, canetas pretas, fitas amarelas.

46 – Lute pelo “meio-ambiente”. Meio ambiente não tem hífen, nem hora extra, ponto de vista, mala direta, pronta entrega, etc. O sinal aparece, porém, em mão-de-obra, matéria-prima, infra-estrutura, primeira-dama, vale-refeição, meio-de-campo, etc.

47 – Queria namorar “com” o colega. O com não existe: Queria namorar o colega.

48 – O processo deu entrada “junto ao” STF. Processo dá entrada no STF. Igualmente: O jogador foi contratado do (e não “junto ao“)     Guarani. / Cresceu muito o prestígio do jornal entre os (e não “junto aos“) leitores. / Era grande a sua dívida com o (e não “junto ao“) banco. / A reclamação foi apresentada ao (e não “junto ao“) Procon.

49 – As pessoas “esperavam-o”. Quando o verbo termina em m, ão ou     õe, os pronomes o, a, os e as tomam a forma no, na, nos e nas: As pessoas esperavam-no. / Dão-nos, convidam-na, põe-nos, impõem-nos.

50 – Vocês “fariam-lhe” um favor? Não se usa pronome átono (me, te, se, lhe, nos, vos, lhes) depois de futuro do presente, futuro do pretérito (antigo condicional) ou particípio. Assim: Vocês lhe fariam (ou far-lhe-iam) um favor? / Ele se imporá pelos conhecimentos (e nunca “imporá-se”). / Os amigos nos darão (e não “darão-nos”)     um presente. / Tendo-me formado (e nunca tendo “formado-me”).

51 – Chegou “a” duas horas e partirá daqui “há” cinco minutos. indica passado e equivale a faz, enquanto a exprime distância ou tempo futuro (não pode ser substituído por faz): Chegou há (faz) duas horas e partirá daqui a (tempo futuro) cinco minutos.     / O atirador estava a (distância) pouco menos de 12 metros. / Ele partiu há (faz) pouco menos de dez dias.

52 – Blusa “em” seda. Usa-se de, e não em, para definir o material de que alguma coisa é feita: Blusa de seda, casa de alvenaria, medalha de prata, estátua de madeira.

53 – A artista “deu à luz a” gêmeos. A expressão é dar à luz, apenas: A artista deu à luz quíntuplos. Também é errado dizer: Deu “a luz a” gêmeos.

54 – Estávamos “em” quatro à mesa. O em não existe: Estávamos quatro à mesa. / Éramos seis. / Ficamos cinco na sala.

55 – Sentou “na” mesa para comer. Sentar-se (ou sentar) em é sentar-se em cima de. Veja o certo: Sentou-se à mesa para comer. / Sentou ao piano, à máquina, ao computador.

56 – Ficou contente “por causa que” ninguém se feriu. Embora popular, a locução não existe. Use porque: Ficou contente porque ninguém se feriu.

57 – O time empatou “em” 2 a 2. A proposição é por: O time empatou por 2 a 2. Repare que ele ganha por e perde por. Da mesma forma: empate por.

58 – À medida “em” que a epidemia se espalhava… O certo é: À medida que a epidemia se espalhava… Existe ainda na medida em que (tendo em vista que):     É preciso cumprir as leis, na medida em que elas existem.

59 – Não queria que “receiassem” a sua companhia. O i não existe: Não queria que receassem a sua companhia. Da mesma forma: passeemos, enfearam, ceaste, receeis (só existe i quando o acento cai no e que precede a terminação ear: receiem, passeias, enfeiam).

60 – Eles “tem” razão. No plural, têm é assim, com acento. Tem é a forma do singular. O mesmo ocorre com vem e vêm e    põe e põem: Ele tem, eles têm; ele vem, eles vêm; ele põe, eles põem.

61 – A moça estava ali “há” muito tempo. Haver concorda com estava. Portanto:     A moça estava ali havia (fazia) muito tempo. / Ele doara sangue ao filho havia (fazia) poucos meses. / Estava sem dormir havia (fazia) três meses. (O havia se impõe quando o verbo está no imperfeito e no mais-que-perfeito do indicativo.)

62 – Não “se o” diz. É errado juntar o se com os pronomes o, a, os e as. Assim, nunca use: Fazendo-se-os, não se o diz (não se diz isso), vê-se-a, etc.

63 – Acordos “políticos-partidários”. Nos adjetivos compostos, só o último elemento varia: acordos político-partidários. Outros exemplos: Bandeiras verde-amarelas, medidas econômico-financeiras, partidos social-democratas.

64 – Fique “tranquilo”. O u  pronunciável depois de q e g e antes de e e     i exige trema: Tranqüilo, conseqüência, lingüiça, agüentar, Birigüi.

65 – Andou por “todo” país. Todo o (ou a) é que significa inteiro: Andou por todo o país (pelo país inteiro)./ Toda a tripulação (a tripulação inteira) foi demitida. Sem o, todo quer dizer cada, qualquer: Todo homem (cada homem)     é mortal. / Toda nação (qualquer nação) tem inimigos.

66 – “Todos” amigos o elogiavam. No plural, todos exige os: Todos os amigos o elogiavam. / Era difícil apontar todas as contradições do texto.

67 – Favoreceu “ao” time da casa. Favorecer, nesse sentido, rejeita a: Favoreceu o time da casa.     / A decisão favoreceu os jogadores.

68 – Ela “mesmo” arrumou a sala. Mesmo, quanto equivale a próprio, é variável:     Ela mesma (própria) arrumou a sala. / As vítimas mesmas recorreram à polícia.

69 – Chamei-o e “o mesmo” não atendeu. Não se pode empregar o mesmo no lugar de pronome ou substantivo: Chamei-o e ele não atendeu. / Os funcionários públicos reuniram-se hoje: amanhã o país conhecerá a decisão dos servidores (e não “dos mesmos”).

70 – Vou sair “essa” noite. É este que designa o tempo no qual se está ou objeto próximo: Esta noite, esta semana (a semana em que se está), este dia, este jornal (o jornal que estou lendo), este século (o século 20).

71 – A temperatura chegou a 0 “graus”. Zero indica singular sempre: Zero grau, zero-quilômetro, zero hora.

72 – A promoção veio “de encontro aos” seus desejos. Ao encontro de é que expressa uma situação favorável: A promoção veio ao encontro dos seus desejos. De encontro a significa condição contrária: A queda do nível dos salários foi de encontro às (foi contra) expectativas da categoria.

73 – Comeu frango “ao invés de” peixe. Em vez de indica substituição: Comeu frango em vez de peixe. Ao invés de significa apenas ao contrário: Ao invés de entrar, saiu.

74 – Se eu “ver” você por aí… O certo é: Se eu vir, revir, previr. Da mesma forma: Se eu vier (de vir), convier; se eu tiver (de ter), mantiver; se ele puser (de pôr), impuser; se ele fizer (de fazer), desfizer; se nós dissermos (de dizer), predissermos.

75 – Ele “intermedia” a negociação. Mediar e intermediar conjugam-se como     odiar:     Ele intermedeia (ou medeia) a negociação.     Remediar, ansiar e incendiar também seguem essa norma: Remedeiam, que eles anseiem, incendeio.

76 – Ninguém se “adequa”. Não existem as formas “adequa”, “adeqüe”, etc., mas apenas aquelas em que o acento cai no a ou o: adequaram, adequou, adequasse, etc.

77 – Evite que a bomba “expluda”. Explodir só tem as pessoas em que depois do d vêm e e i: Explode, explodiram, etc. Portanto, não escreva nem fale “exploda” ou “expluda”, substituindo essas formas por rebente, por exemplo. Precaver-se também não se conjuga em todas as pessoas. Assim, não existem as formas “precavejo”, “precavês”, “precavém”, “precavenho”, “precavenha”,”precaveja”, etc.

78 – Governo “reavê” confiança. Equivalente: Governo recupera confiança. Reaver segue haver, mas apenas nos casos em que este tem a letra v: Reavemos, reouve, reaverá, reouvesse. Por isso, não existem “reavejo”, “reavê” etc.

79 – Disse o que “quiz”. Não existe    z, mas apenas s, nas pessoas de querer e     pôr: Quis, quisesse, quiseram, quiséssemos; pôs, pus, pusesse, puseram, puséssemos.

80 – O homem “possue” muitos bens. O certo: O homem possui muitos bens. Verbos em uir só têm a terminação ui: Inclui, atribui, polui. Verbos em uar é que admitem     ue: Continue, recue, atue, atenue.

81 – A tese “onde”… Onde só pode ser usado para lugar: A casa onde ele mora. / Veja o jardim onde as crianças brincam. Nos demais casos, use em que: A tese em que ele defende essa idéia. / O livro em que… / A faixa em que ele canta… / Na entrevista em que…

82 – Já “foi comunicado” da decisão. Uma decisão é comunicada, mas ninguém “é comunicado” de alguma coisa. Assim: Já foi informado (cientificado, avisado) da decisão. Outra forma errada: A diretoria “comunicou” os empregados da decisão. Opções corretas: A diretoria comunicou a decisão aos empregados. / A decisão foi comunicada aos empregados.

83 – Venha “por” a roupa. Pôr, verbo, tem acento diferencial: Venha pôr a roupa. O mesmo ocorre com pôde (passado): Não pôde vir. Veja outros: fôrma, pêlo e pêlos  (cabelo, cabelos), pára (verbo parar), péla (bola ou verbo pelar), pélo (verbo pelar), pólo e pólos. Perderam o sinal, no entanto: Ele, toda, ovo, selo, almoço, etc.

84 – “Inflingiu” o regulamento. Infringir é que significa transgredir: Infringiu o regulamento. Infligir (e não “inflingir”) significa impor: Infligiu séria punição ao réu.

85 – A modelo “pousou” o dia todo. Modelo posa (de pose). Quem pousa é ave, avião, viajante, etc. Não confunda também iminente (prestes a acontecer) com eminente (ilustre). Nem tráfico (contrabando) com tráfego (trânsito).

86 – Espero que “viagem” hoje. Viagem, com g, é o substantivo: Minha viagem. A forma verbal é viajem (de viajar): Espero que viajem hoje. Evite também “comprimentar” alguém: de cumprimento (saudação), só pode resultar cumprimentar. Comprimento é extensão. Igualmente: Comprido (extenso) e cumprido (concretizado).

87 – O pai “sequer” foi avisado. Sequer deve ser usado com negativa: O pai nem sequer foi avisado. / Não disse sequer o que pretendia. / Partiu sem sequer nos avisar.

88 – Comprou uma TV “a cores”. Veja o correto: Comprou uma TV em cores (não se diz TV     “a” preto e branco). Da mesma forma: Transmissão em cores, desenho em cores.

89 – “Causou-me” estranheza as palavras. Use o certo: Causaram-me estranheza as palavras. Cuidado, pois é comum o erro de concordância quando o verbo está antes do sujeito. Veja outro exemplo: Foram iniciadas esta noite as obras (e não “foi iniciado” esta noite as obras).

90 – A realidade das pessoas “podem” mudar. Cuidado: palavra próxima ao verbo não deve influir na concordância. Por isso : A realidade das pessoas pode mudar. / A troca de agressões entre os funcionários foi punida (e não “foram punidas”).

91 – O fato passou “desapercebido”. Na verdade, o fato passou despercebido, não foi notado. Desapercebido significa desprevenido.

92 – “Haja visto” seu empenho… A expressão é haja vista e não varia: Haja vista seu empenho. / Haja vista seus esforços. / Haja vista suas críticas.

93 – A moça “que ele gosta”. Como se gosta de, o certo é: A moça de que ele gosta. Igualmente: O dinheiro de que dispõe, o filme a que assistiu (e não que assistiu),     a prova de que participou, o amigo a que se referiu, etc.

94 – É hora “dele” chegar. Não se deve fazer a contração da preposição com artigo ou pronome, nos casos seguidos de infinitivo: É hora de ele chegar. / Apesar de o amigo tê-lo convidado… / Depois de esses fatos terem ocorrido…

95 – Vou “consigo”. Consigo só tem valor reflexivo (pensou consigo mesmo) e não pode substituir com você, com o senhor. Portanto:     Vou com você, vou com o senhor. Igualmente: Isto é para o senhor (e não “para si”).

96 – Já “é” 8 horas. Horas e as demais palavras que definem tempo variam: Já são 8 horas. / Já é (e não “são”)1 hora, já é meio-dia, já é meia-noite.

97 – A festa começa às 8 “hrs.”. As abreviaturas do sistema métrico decimal não têm plural nem ponto. Assim: 8 h, 2 km (e não “kms.”),     5 m, 10 kg.

98 – “Dado” os índices das pesquisas… A concordância é normal: Dados os índices das pesquisas… / Dado o resultado… / Dadas as suas idéias…

99 – Ficou “sobre” a mira do assaltante. Sob é que significa debaixo de: Ficou sob a mira do assaltante. / Escondeu-se sob a cama. Sobre equivale a em cima de ou a respeito de: Estava sobre o telhado. / Falou sobre a inflação. E lembre-se: O animal ou o piano têm cauda e o doce, calda. Da mesma forma, alguém traz alguma coisa e alguém vai para trás.

100 – “Ao meu ver”. Não existe artigo nessas expressões: A meu ver, a seu ver, a nosso ver.

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