O PRIMEIRO CAPÍTULO

Olá, como vão vocês? Nessa aula falaremos sobre construção de cenas. Iremos refletir sobre o que é uma cena, o início de uma história e o que ela precisa para começar bem.

Introdução da história

Depois da capa, do título e do sumário, a primeira cena de uma boa história é essencial. É onde você apresentará a história ao leitor, o fazendo decidir se a história vale a pena ser lida ou não. O primeiro capítulo deve servir de introdução geral da história. Ele deve apresentar o mundo e as personagens que desejamos contar junto com a premissa, tema, enredo e deve deixar claro quem são os personagens principais, os mostrando em uma primeira cena interessante que possa prender a atenção de nossos leitores, pois é nela que daremos a maior carga de informação.

É claro que há exceções, como quando se trata de uma fanfic; o trabalho é menos rigoroso, porque já temos o mundo e os personagens prontinhos para o uso. Mas o que acontece quando o caso é um original ou um universo alternativo? Como devemos prosseguir para apresentar um primeiro capítulo interessante?

Eu sugiro algumas perguntas para nos levar a um questionamento inicial:

  • Qual é a história que você quer contar? Seria apenas um romance? Seria de cunho político? Uma distopia? Crítica contra aqueles no poder? Sobre o direito das minorias? Ou seria apenas um conto sobre algo que você viu e gostaria de se aprofundar?
  • Você tem um antagonista forte que faça sentido para a história?
  • Você entende verdadeiramente o conceito de conflito narrativo?
  • E o mais importante, você leria a história que você quer escrever? Você ficaria curioso para saber mais sobre ela? Você se importaria com os personagens o suficiente para continuar lendo?
  • Essa cena faz com que o enredo evolua? Essa cena é necessária?
  • Esses personagens são necessários para a história?
  • O lugar ou cenário está bem definido?
  • A cena surpreende ou adiciona algo à história?
  • Você tem um planejamento da história?
  • Você está contando ou mostrando a história?

Nem sempre conseguimos colocar tudo isso nem um primeiro capítulo, mas temos que ter em mente quais são os aspectos necessários para apresentar uma história bem estruturada. Se conseguirmos colocar esses aspectos no primeiro capítulo já vai ter sido meio caminho andado, mas se você não conseguir, está tudo bem; o mínimo que devemos fazer é deixar claro quem são os personagens principais e suas motivações, ou ao menos, ter em mente o que seu personagem quer e precisa.

Como devemos começar a primeira cena?

O pior erro que um escritor pode cometer é começar a história pelo cotidiano do personagem de forma arrastada. Os leitores não estão interessados no passado do personagem e nem no que ele fazia antes do fato interesse acontecer, não por enquanto. Primeiro, temos que fazer com que o leitor se importe com seu personagem o suficiente para querer saber mais sobre ele. O correto seria usar o primeiro parágrafo para dar um parecer geral da história.

Ele deve conter:

  • Personagem protagonista
  • Onde se passa a história, tempo e espaço
  • Contar brevemente sobre onde o personagem está
  • Apresentar a ruptura que faz o personagem embarcar na nova aventura

O início de uma narrativa é o aspecto mais importante de um texto, são aquelas primeiras palavras que vão manter o leitor interessado e garantir que ele leia a história até o final. A primeira coisa que eu tenho a dizer é: Quando eu abro um livro pela primeira vez eu sei exatamente nada sobre aquele mundo. Eu não conheço os personagens, o que ele querem ou o que precisam. Então, o mais aconselhável a fazer é começar a história por um parágrafo introdutório. E quando eu digo introdutório não é para descrever a aparência dos personagens ou o cenário longamente. Eu quero que você me conte um pouco sobre essa história. Onde esses personagens estão e o que eles estão fazendo, mostrar um pouco do ambiente também ajuda a situar o personagem. Não precisa ser nada longo, mas antes de ver a interação entre personagens eu preciso que você dê ponteiros para saber onde estamos, quem somos e para onde vamos. Isto é, conte um pouco sobre onde o personagem está e logo em seguida introduza o momento de ruptura que fará nosso personagem ter que passar por desafios e conflitos para alcançar algum objetivo.

Agora, eu quero que você pense nas suas próprias experiências. Quando você quer contar alguma coisa que aconteceu, como você faz? Você conta tudo o que você fez antes ou vai direto ao início do acontecido, no exato momento que há uma ruptura e algo inesperado acontece? É exatamente o que uma primeira cena precisa; ela precisa do início da história que vai tirar nosso personagem do comum e os levar junto com nossos leitores por uma viagem de acontecimentos, emoções e inter-relações interessantes.

Agora vamos por partes.

Personagens, Tempo e Espaço.

Personagens

Deixe claro quem é o protagonista, coadjuvante e antagonista da história.

Geralmente o protagonista é o primeiro personagem que aparece, o coadjuvante costuma estar do lado do protagonista o ajudando de alguma forma e o antagonista nem sempre é tão óbvio; ele pode ser um amigo, algum conhecido ou um rival, mas o importante é mostrá-lo desde o início para que não pareça que ele entrou na história de forma miraculosa, o tornando fraco e forçado. É o que chamamos de ex machina.

Uma forma de identificar se o personagem é um protagonista é se perguntar se é ele quem move o enredo para frente, isto é, se é ele quem pratica a ação. Entretanto, se ele for aquele que somente reage à ação quer dizer que um outro personagem deve estar praticando as ações, isto é, se destacando muito mais do que nosso protagonista. A solução seria pensar na história como um todo e ver se nosso protagonista é o tipo de personagem indicado para a nossa história.

A caracterização do personagem também é importante. Eu não falo de roupas e sim de trejeitos, objetos que só ele usaria, alguns traços de personalidade e se você conseguir desenvolver um jeito só dele falar seria o pacote perfeito. Um erro de principiante é descrever em detalhes cada feição do personagem ou as roupas que ele usa. Se for um detalhe importante que só ele tem, tudo bem, mas se for aquela descrição chata e que não tenha importância para a história, nem se incomode. Faça esses tipos de descrições de forma sutil, a modo a não parecer que é uma descrição estática e sim que pareça uma parte da história.

Lembre-se, um personagem que só reage é fraco, porque ele não tem objetivos. Nossos personagens principais não podem ser seguidores, eles precisam ser os líderes e precisam ter um motivo para ir em frente, eles precisam de ao menos uma motivação forte o suficiente para fazê-los sair do confortável e se aventurarem no mundo misterioso que os aguarda.

Espaço (Cenário ou ambientação)

Cenário, espaço, ou como eu gosto de chamar, ambientação, é uma parte importante da história. Ela é tão essencial que muitas vezes acaba se tornando quase um personagem, como hogwarts ou o acampamento meio-sangue. Sem uma boa ambientação os leitores ficam desorientados, não é possível saber exatamente o que personagens estão fazendo e para onde eles vão. Nós não precisamos fazer descrições quilométricas como era de costume na literatura e talvez, ainda seja. Eu prefiro me limitar ao mínimo e deixar que os leitores se esforcem um pouco mais para imaginar os detalhes. Faço assim porque eu odeio longas descrição e é o que eu costumo pular quando leio um livro. Longas ou curtas, as ambientações são necessárias.

Tempo

O tempo pode ser cronológico e/ou psicológico.

O tempo psicológico é onde eu mais me esforço, porque se trata do que o personagem está sentindo e sobre toda a bagagem emocional que ele traz para o enredo; eu me importo mais com o que ele sente do que se ele vai alcançar o objetivo dele. O tempo psicológico é sobre o que as pessoas ao redor dele o fazem sentir e me faz refletir sobre o passado de tal personagem, me faz ir fundo na mente dele e descobrir o que aconteceu para o fazer chegar naquele momento e o que ele faria em tal situação.

Já o tempo cronológico seria como você organiza o tempo dentro da sua história e em que época sua história se encontra. Pode ser o século XV ou pode ser em um futuro cyberpunk, você também pode escrever sua história de forma crescente, a modo de mostrar sua história evoluindo em um sequência contínua de cenas ou você pode escrever de forma decrescente, começando pelo final e finalizando no começo, ou até mesmo colocar partes do passado no meio da história. Eu diria que o tempo cronológico é minha parte menos querida, porque eu tenho o talento de sempre bagunçar tudo, por isso eu não presto muito atenção se é segunda ou quarta-feira, o importante é deixar claro que o tempo avança na sua história. Geralmente, eu coloco pequenas frases que dão a entender que o tempo de fato está passando, como por exemplo: Faz um mês. Desde a noite passada. No aniversário de tal pessoa e etc. Mas se você é como eu, o tempo cronológico também pode ser não definido. É preferível deixar que o leitor tire suas próprias conclusões sobre esse aspecto, se é que ele vai perceber esse detalhe.

Como escrever a primeira cena

Escrever a primeira é como escrever qualquer cena, a diferença entre elas é que essa cena em específico será o nosso cartão de entrada. A seguir veremos alguns aspectos a se observar se quisermos analisar uma cena:

  1. O que a cena precisa?
  2. O que precisa acontecer para que a cena seja interessante?
  3. Se a cena fosse omitida ela faria falta para a história?
  4. Quais personagens devem estar na cena?
  5. O que os personagens querem?
  6. Em que lugar a cena ocorre?
  7. Visualize a cena.
  8. Escreva um rascunho da cena.
  9. Escreva a cena.

O que a cena precisa?

Aqui é nosso ponto inicial. Devemos decidir que tipo de história estaremos contando. Romance? Policial? Aventura. É importante decidirmos aqui para saber que caminho seguiremos. Em seguida, decidimos que tipo de personagem é indicado para a história que queremos contar. Por exemplo, na minha história ‘Give it to me’ eu queria escrever sobre um um homem que foi forçado a assumir um ramo da máfia americana por necessidade de sobrevivência. E como meu personagem principal sempre é o Percy, eu tive que dar as características que eu pensava que uma pessoa precisaria para sobreviver nesse cenário. Em seguida, pensei nos coadjuvantes. Que tipo de pessoa Percy precisaria perto dele para alcançar o objetivo dele? É claro que seria o Nico. Mas o que esse Nico teria que ter para ser útil ao meu protagonista? Decidi que a lealdade deveria vir em primeiro lugar quando se trata de um tema tão delicado e transformei Nico e Percy em família de alguma forma, jogando no meio um relação de amizade e romance no mix.

Agora, o que eu quis dizer com tudo isso?

É simples. Seus personagens precisam ter objetivos claros desde o início, a aventura deles pode parecer incerta, mas nunca o que os motiva. Você pode não deixar claro na história ou ser tão sutil que seus leitores só percebam no final. O importante é que você, escritor, tenha em mente o objetivo central de seus personagens.

O que precisa acontecer para que a cena seja interessante?

Tudo bem, aqui é o ponto que eu julgo ser o mais importante para uma abertura de historia forte. E como eu comentei anteriormente, uma boa primeira cena é um acontecimento que tira nosso protagonista da rotina e o joga em uma situação diferente, uma que quebre completamente o que ele tem por comum.

Vou ser bem sincera, eu sou uma escritora de fanfics que na maior parte do tempo escreve história focadas em cenas de sexo. E com isso em mente, vou tentar seguir um caminho diferente do que eu fiz nos últimos anos. É claro que você pode começar como eu: uma cena bem escrita de sexo e depois trabalhar para desenvolver as relações interpessoais, ou você pode fazer como as pessoas normais fazem. Se eu fosse fazer uma história sem que o sexo estivesse envolvido, eu iria começar pelo básico; nosso protagonista em um cenário que ele se sinta confortável, eu escreveria no máximo um parágrafo curto o mostrando em seu cotidiano e já pularia para a surpresa que nossa primeira cena precisa. Às vezes, esse momento chato e comum nem será necessário, tudo depende do que você quer contar.

Agora, o que significa uma cena ser interessante?

Ela tem que ser algo que você não esperaria, algo que atrapalhe o cotidiano do seu protagonista e o faça ir em busca de algo, o motivando a tomar as rédeas da situação e fazer alguma coisa em relação a aquele problema que acaba de se mostrar ao nosso personagem.

Vou parecer bem suspeita agora, mas o que fez eu me apaixonar pelos livros do Percy Jackson foi a primeira frase. Só aquela única frase me fez querer ler o resto. Eu não sabia nada sobre mitologia além da existência de deuses gregos; qual era o sentido deles ou que eles representavam já era outra coisa. O fato é, a partir daquele momento entender o que é ser um semideus em um mundo onde monstros existiam foi o que me motivou a ler os livros.

Se a cena fosse omitida ela faria falta para a história?

Esse passo é um pouco mais avançado do que nossa proposta para essa aula precisaria, mas achei interessante incluí-la aqui. Eu só a uso depois de ter escrito a primeira versão da história ou depois que alguns capítulos estão completos, ou se eu for metódica o suficiente, durante o planejamento antes de começar a escrever a história. Sei que vai doer e sei que vai parecer que você está jogando seu texto e seu tempo fora. Mas não somos perfeitos e sendo assim, cometemos erros. E nem todas as cenas usadas, por mais que você tenha se apegado a elas, são úteis ou devem ser mantidas.

Se eu for parar para pensar nas cenas da minha atual história… bem, uma boa parte delas vai ter que ser substituída ou reescrita, e está tudo bem, porque no começo é difícil saber o que exatamente nossos personagens precisam; serão mais cenas expositivas mostrando sobre eles ou serão cenas com nossos personagens interagindo com outros personagens, se movimentando e agindo?

Tudo depende do que você tem planejado, sem excluir o fato de que planos podem mudar. E de fato, a maioria das cenas que eu tive planejadas para minha história atual foram jogadas fora e substituídas por cenas e conceitos que se encaixavam melhor com o que eu queria contar. Por tanto, esse é o momento que você vai analisar sua cena ou história. Se você tirar aquela cena da história e ela não fizer falta alguma, quer dizer que é hora de cortá-la de sua história. Se ela não trás nada de importante e não faz a história evoluir ela é uma cena inútil que só ajuda na sua contagem de palavras. Geralmente, são cenas de diálogos ou cenas com descrições extensas. Você sabe aqueles momentos que os personagens tem monólogos intermináveis ou eles contam algo sobre um personagem que não tem relação direta com a história que você quer contar? Essa é uma muleta para quando não sabemos o que nosso personagem deve fazer em seguida, nós dando mais tempo para pensarmos no próximo desafio de nossos protagonistas.

Quais personagens devem estar na cena?

Parece um questionamento óbvio. Mas não é. Nós, seres humanos, somos uma espécie que se apega fácil a uma infinidade de coisas. Nossos personagens são um deles. Então, se o personagem em algum ponto da sua história não for ter qualquer destaque ou importância, nem se incomode em citá-lo. Tempo de texto é para os personagem que tem algo de interessante ou importante a acrescentar na história. Sendo assim, tome cuidado para não povoar sua história com cinquenta personagens quando só cinco trarão qualquer tipo de consequência para a vida de nosso protagonista. Por exemplo, se você quiser criar histórias sobre aquele personagem que tem uma participação pequena, tudo bem. O que você tem que fazer é criar uma história separada para eles e deixar que seu protagonista tenha as rédeas e a atenção da história, exatamente como deveria ser.

O que os personagens querem?

Anteriormente, eu mencionei o que os personagens precisavam. Agora, falaremos sobre o que eles querem. Vocês conseguem ver a diferença? Às vezes, eles podem querer coisas que são contraditórias do objetivo central deles, criando uma sub trama, um objetivo secundário, e outras vezes, o que eles querem e o que eles precisam são a mesma coisa, os ajudando em sua jornada.

Mas, agora, imaginem outro caso: Nós temos um protagonista e ele parece normal a primeira vista, ele tem algumas qualidades e tem alguns defeitos, como qualquer outro personagem deveria ter. Entretanto, e se o que o personagem quer fosse tão diferente do que ele precisa que isso acabaria o  transformando completamente? Mas não seria uma transformação qualquer, não. Ele mudaria de uma forma tão drástica e a tal ponto que o faria cometer ações que ele não se achava capaz de cometer antes daquele momento, o fazendo agir contra as pessoas que o apoiaram até ali e destruindo tudo o que ele anteriormente achava ser correto e justo.

Vocês vem o que eu quero mostrar aqui? Esse é o caso do Luke Castellan na séries de livros do Percy Jackson. O que ele precisava era ser reconhecido pelo pai, mas o que ele queria acabou por ser a destruição desse mesmo pai. Geralmente, é como antagonistas ou vilões surgem, os anti-heróis também. Isso pode até se transformar em um dos obstáculos que ficam no caminho do nosso protagonista, uma pessoa que se opõe a ele ou seu próprio senso do que é certo ou errado, esse seria o nosso famoso conflito. A questão aqui é, o que nossos personagens precisam e o que eles querem podem ser usados como uma técnica para construir e desenvolver ainda mais nossas histórias.

Em que lugar a cena ocorre?

Este também é um ponto que já discutimos. E eu me forço a voltar a falar sobre ele. Vocês poderiam imaginar Harry Potter sem Hogwarts? Percy Jackson sem o acampamento meio-sangue? O cenário tem um impacto tão forte nas nossas história que ignorá-lo seria como apagar uma parte vital de nossos personagens.

Por exemplo, na minha história atual eu menciono em vários momentos a faculdade em que Nico estuda, eu não digo o nome dela ou onde ela fica localizada, entretanto essas breves descrições ajudam a formar o caráter do meu personagem, ainda mais se levarmos em conta que em um cenário abo omegas não são conhecidos por serem estudiosos. Outros lugares que eu também mencionei e que constroem a imagem do Nico: a casa da tia e becos de esquinas. O que isso diz sobre o Nico? Eu diria que muita coisa, é só prestarmos atenção suficiente aos detalhes. Portanto, o cenário pelo cenário, não traz importância para nossa história ou personagens, mas quando o cenário está ligado intimamente a nossos personagens eles se tornam insubstituíveis.

Visualize a cena

Esse passo também já foi mencionado em aulas anteriores, mas volto a ressalta-lo. Antes de escrevermos nossa cena precisamos imaginá-la. Feche os olhos e a imagine passando como um filme em sua cabeça: onde estamos, o que fazemos, quem são os personagens na cenas, o que está acontecendo, quem fala e quem escuta, quais são os acontecimentos que se desenrolam. Os detalhes da visualização podem mudar de acordo com o que colocamos no papel, mas é importante darmos vida a nossa cena antes que a coloquemos no papel, dando a ela um tom de realidade e consistência.

Escreva um rascunho da cena

Eu diria que esse passo não é obrigatório, mas aconselhável. Geralmente quando eu já tenho uma ideia geral do que escrever costumo colocar tudo de uma vez no papel e não paro até que cada diálogo e descrição estejam na folha, embora corramos o perigo de esquecer algum detalhe importante pelo o meio do caminho. É por isso que essa parte é indicada por todos os escritores sérios. Depois de fazer a visualização e ter em mente todos os detalhes que precisamos para escrever a história é hora de fazer uma anotação rápida, colocando no papel a maior quantidade de informações que você puder reunir antes de o esquecermos. É apenas um rascunho, sem descrições, nem diálogos detalhados. Apenas notas, apontamentos, emoções. Deve ser um processo rápido, enquanto a cena ainda está vívida na nossa imaginação.

Escreva a cena

Reunindo todas as informações que juntamos até agora, podemos enfim escrever nossa cena com confiança. Eu não diria que é uma versão final, porque reescrita é parte permanente da vida de um escritor, mas é a cena que escolhemos para dar início a nossa jornada. Provavelmente, é a parte que eu mais gosto depois da reescrita, pois vamos montar a cena de acordo com o que temos de informações e deixar que nossa história tome vida e forma. Adicionaremos descrições, diálogos, personagens e algo surpreendente que vai chamar a atenção de nossos leitores. Desenvolveremos nossa cena e incluiremos detalhes específicos sobre tudo ao redor de nossos personagens; ambiente, pensamentos e emoções, dando um ponto de vista a eles que deverá ser único a eles, mostrando como nossos personagens vêem o mundo e descobriremos também como eles agem e reagem aos desafios que virão pela frente.

Porque devemos usar esses aspectos ao escrever?

É bem simples, na verdade. Eu fiz isso por anos e nem me dei conta de que o fazia. Eu lia todos os livros sobre escrita que eu pudesse e gastava uma boa parte do meu tempo livre lendo blogs sobre dicas de escrita. Só agora que eu tenho que passar esse tipo de conhecimento para outras pessoa é que eu vejo a verdade. Precisamos de modelos e padrões por onde começar nossa escrita. Não confunda com cópia, porque isso seria copiar palavra por palavra e paragrafo por paragrafo. Você é permitido a se apoiar nos grandes mestres; e porque você não seria? É o único jeito que eu conheço de termos uma forma de nos adequar aos nossos nicho de escrita. Como poderíamos definir o que é bom, o que ruim e o que nos é útil se não tivéssemos esses exemplos?

Como é dito nesse vídeo, o único jeito de aprender algo é padronizando nossa produção. E com o tempo e prática, nós nem perceberemos que estamos aplicando as regras da escrita sem pensar nelas. Assim, seremos capazes de quebrar as regras que nós mesmos nos auto impomos, mas isso só acontece quando entendemos como se dá a criação de uma cena ou livro. Primeiro precisamos aprender as regras para depois quebrá-las se for necessário.

Formas de começar uma história

O que vem a seguir não é uma regra, pois existem infinitas maneiras de começar uma história, mas quando mais diferente, mais atenção você vai ter do seu leitor.

Um fato surpreendente

Essa é a forma mais comum de começar um texto. É quando um personagem te conta ou quando acontece algo que não seja comum e dalí se desenvolva a história. Por exemplo, uma cena que começa em um velório, um acidente de carro ou um assalto a banco. Tem que ser uma cena que tire nosso personagem da calmaria e o obrigue a agir.

Um conflito emocional

Nesse caso, devemos abrir nossa história com baque emocional. Seria uma trama onde os personagens mexem com nossas emoções e que também mostram incertezas desde o início. Por exemplo, quando eu li a Casa de Hades, um dos livros do Percy Jackson, eu fiquei me perguntando o que teria acontecido no espaço entre duas cenas específicas; eles estava indo para outra guerra e essa poderia ser a última vez que os personagens se encontrariam. Existe maior incerteza do que a morte certa?

Um diálogo

一 O que você está fazendo?

一 O que eu sempre faço. 一 Carlos olhou para a estranha que tinha sentado a seu lado, descendo os olhos para a mão que ela tinha colocado em cima de sua perna.

Um começo no mínimo curioso, vocês não acham? Aqui o intuito é começar a história com uma abertura forte sem ter que explicar muito, eu gosto quando eu vou aprendendo os detalhes daquela história junto com o avançar do enredo. Se você prender o leitor desde o primeiro diálogo, o resto é fácil.

A morte de alguém

Vou ser sincera, acho muito clichê começar a história com a morte de alguém, principalmente se for uma história policial, prior ainda se o cunho for amoroso. Embora existam outras formas de incluir morte, por exemplo, se ao invés de mostrar o assassino somente no final, a primeira cena com fosse com ele matando suas vítimas, ou ainda melhor, não seria interessante ver alguém matando o assassino e nos levando até o momento de revelar quem matou ele no final? Essa história seria bem mais interessante do que um simples policial, com certeza

Uma frase inesperada

Comece com um frase inesperada, uma afirmação de algo que durante a história vamos entender porque é verdade, faça com que o leitor fique curioso com o que vem a seguir. Por exemplo: “Faz dez anos que não piso nesta casa”. Eu ficaria curiosa imediatamente e me perguntaria o porque. Quem é essa pessoa e o que a fez ficar tanto tempo longe.

Um fim

Comece contando o fim. É preciso ter o controle completo do que você vai escrever. Também pode ser feito na reescrita da história.

Personagem principal em grande perigo

Comece atirando o personagem em um acontecimento mortal ou brutal logo no início, algo que nos faça seguir com atenção o desenrolar do desafio lançado.

Adendo:

O que você não deve fazer: Nunca, em hipótese nenhuma, comece uma história com a descrição estática de personagens ou ambientes. Esses tipos de descrições não são importantes e sozinhas não criam uma cena ou uma história, pois elas tem a função de auxiliar o desenvolvimento dos personagens e história e nunca devem estar no foco da atenção, principalmente nas primeiras orações da sua história, deixe isso para uma cena impactante ou para seu personagem protagonista.

Proposta de desafio

Enfim chegamos à parte mais divertida onde vamos aplicar tudo o que aprendemos na aula. Vou encerrar por aqui e deixá-los com um vídeo e com um desafio de análise estrutural. Vocês podem fazer um texto novo ou podem aplicar as sugestões que eu mostrei aqui na histórias de vocês. Quero que vocês apliquem esses nove conceitos na primeira cena da história de vocês e me digam qual a conclusão que vocês chegaram. Vocês já conheciam esses aspectos da escrita, foi útil? Quem quiser pode me mandar os textos eu vou ter um imenso prazer em fazer uma crítica construtiva.

Boa escrita para todos!

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